NOS Lusomundo vai dedicar três salas apenas ao cinema português. Saiba quais

Margarida Lopes
18 de Maio 2024 | 18:00

A NOS Lusomundo Cinemas vai dedicar três das 214 salas apenas ao cinema português, em Lisboa, Coimbra e Porto, para ajudar a subir a quota de mercado da produção portuguesa, revelou o director-geral, Nuno Aguiar.

 

A exibidora cinematográfica portuguesa, detentora de 40,4% das 530 salas do circuito comercial, decidiu que três salas vão passar a exibir diariamente apenas cinema português.

«Com essas três salas podemos estimular a que as pessoas venham, criem um hábito e saibam que naquele espaço têm sempre cinema português. Pode ser que se consiga trabalhar um público específico e crescer esta tal quota do mercado», sublinhou.

Nuno Aguiar diz que esta decisão é o contributo da NOS Lusomundo Cinemas para que o cinema português atinja «uma quota de talvez 10%» em número de espectadores e, consequentemente, em receitas de bilheteira.

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Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual, em 2023 estrearam-se 47 filmes de produção portuguesa, que somaram 328 762 espectadores e originaram 1,5 milhões de euros de receita de bilheteira.

Isto significa que o cinema português estreado em sala representou, em 2023, uma quota de 2,1% em receitas e 2,7% em audiência face ao panorama total dos filmes estreados no país, sendo das mais baixas quotas de mercado no espaço europeu.

O filme português mais visto em 2023 no circuito comercial português foi a comédia «Pôr do Sol: O Mistério do Colar de São Cajó», de Manuel Pureza, com 118 671 espectadores.

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A título de exemplo, em França, um dos países mais fortes do espaço europeu em matéria de cinema, os filmes franceses representavam 39,8% do mercado em 2023, totalizando 71,9 milhões de espectadores, segundo dados do Centro Nacional de Cinema e Imagem Animada.

Para o director-geral da NOS Lusomundo Cinemas, aquela opção de ter três salas de cinema retira a pressão comercial que existe noutras salas para o cinema português, pela quantidade de filmes que se estreiam em sala. Mas Nuno Aguiar rejeita que esta iniciativa se possa transformar num gueto.

«Obviamente que isto não é limitador. Se houver cinema português que justifique ter muito mais salas, todos os filmes que o justificarem – aliás a maior parte dos filmes, pelo menos aqueles que tenham mais impacto nos espectadores – vão estrear em muito mais salas do que nestas três», disse.

Questionado sobre o que é um filme português comercial e com «mais impacto nos espectadores», Nuno Aguiar responde como exibidor. «O cinema comercial é o cinema que faz 50 mil espectadores, 100 mil. Se fizer mil ou menos, admito que os filmes sejam muito bons, mas em termos de exibição e comerciais não atraem tanto público. A perspectiva da qualidade da obra é outra. Como exibidor, é esta componente comercial, da quantidade de espectadores que consegue atrair, que tem interesse para nós.»

Para o responsável, «o cinema português tem de se habituar a fazer pelo menos dois filmes por ano acima dos 200 mil espectadores e outros a fazer mais de 50 mil». «Senão nunca chegaremos aos 10% de quota de mercado», disse.

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Segundo a exibidora, os cinemas do Alvaláxia Shopping, em Lisboa, do Alma Shopping, em Coimbra, e do Alameda Shop & Spot, no Porto, passam a ter uma sala para o cinema português.

A abertura da iniciativa é marcada, na quarta-feira, em Lisboa, com uma sessão com três curtas-metragens portuguesas, sob o título «Entre Muros», reunindo os filmes «2720», de Basil da Cunha, «Corpos Cintilantes», de Inês Teixeira, e «Natureza Humana», de Mónica Lima.

A sessão, às 19h30, contará com as presenças dos autores, numa conversa moderada por António Brito Guterres.

Segundo a exibidora, a programação já planeada até Setembro inclui filmes como «Cândido – O espião que veio do futebol», de Jorge Paixão da Costa, as estreias de «O teu rosto será o último», de Luís Filipe Rocha, «Camarada Cunhal», de Sérgio Graciano, e «Mãos no Fogo», de Margarida Gil, e as reposições de «Pátio das Cantigas» e «O pai tirano».

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