Liderar é como andar de avião!

A diferença entre andar de bicicleta e andar de avião está na possibilidade de se aprender a andar de bicicleta uma vez para sempre! Para andar de avião é sempre necessário estar muito atento a todas as instruções de segurança…

Por Pedro Ramos, administrador da Groundforce

Caros líderes, “bem-vindos a bordo!” bem podia ser a mensagem de abertura desta viagem rumo à excelência na liderança…

Antes de iniciarmos esta grande viagem, convém tomarmos nota de todas as instruções de segurança. Assim…

Os cintos de segurança deverão estar sempre apertados quando se está sentado e quando os sinais de apertar os cintos estão accionados… Esta é uma mensagem clara para que os líderes se preparem para todas as eventualidades no que respeita aos ataques internos e externos que a sua equipa vai estar sujeita ao longo de todo o processo. Quer dizer… viagem! A turbulência pode surgir mesmo dentro da própria equipa – o desafio de liderar pessoas… – ou a partir do exterior, factores como a erosão dos tempos e dos negócios, os ventos fortes da concorrência e dos mercados podem a qualquer momento fazer abanar as equipas e as empresas… Um cinto de segurança ajustado (a cada momento) e sempre apertado representa uma permanente atitude de cautela aos sinais e atenção aos desafios emergentes…

A máscara de oxigénio significa a necessidade de “ar puro”, não contaminado, que o líder precisa para manter a sua lucidez, frescura, matéria essencial para a oxigenação dos seus pensamentos e acções. Curioso é que da mesma forma como no avião, o líder deve primeiro colocar a sua máscara de oxigênio e só depois ajudar os outros a colocarem as suas… É verdade! O líder precisa alimentar-se de ar fresco para poder ser fonte de frescura e energia para os outros que dependem da sua acção e que estão (por perto) à sua volta.

O colete de salvação, dentro da bolsa azul, debaixo das cadeiras é o instrumento de proteção individual de que os líderes necessitam para se preparem para as eventualidades de terem de abandonar o avião. Os coletes exigem a determinação de se soprar para os fazer encher, mas sobretudo a determinação de os colocar correctamente no momento certo [e muito poderíamos dizer sobre os momentos certos para o fazer…] de saltar, de abandonar a zona de conforto, e partir rumo ao imprevisto, ao desconhecido, mas com o equipamento adequado para poder interagir com os desafios exteriores. O colete de salvação, ao poder ser usado como boia, pode induzir no líder a esperança de que depois de uma grande turbulência, um grande desafio poderá seguir-se uma acalmia, mares menos perigosos, onde poderá ser possível interagir, actuar conducente à plena salvação da equipa e o atingimento do objectivo pretendido.

Convém estar sempre atento à localização das portas de emergência [estejam à frente, atrás ou sobre as asas…], portas assinaladas com luzes ao longo dos corredores… Trata-se de conhecer bem o espaço físico e psicológico onde as equipas se movimentam. Assinalar a porta da saída pode não ser simpático, mas muitas vezes a determinação e assertividade do líder é vital para a promoção e manutenção da coesão da equipa. As portas de emergência sugerem saídas, sempre existentes, para as situações mais desafiadoras que possam surgir e que impliquem respostas das equipas. Caminhos assinalados são produto de um planeamento cuidado, de propostas alternativas, de desenhos conseguidos de processos de apropriação da própria equipa.

E o facto de todas as instruções de segurança dadas poderem ser complementadas com a leitura do folheto existente na parte da frente das cadeiras, significa que existem regras claras, estruturadas e estruturantes, para a equipa poder actuar, existir e até sobreviver. As regras sempre presentes, mesmo quando não necessitam de estar a ser lidas, comuns a todos os membros, são facilitadoras da criação de climas e processos de trabalho desafiadores e estimulantes que levam ao comprometimento de todos os membros com o líder e vice-versa. Comprometer e comprometer-se faz parte das mensagens básicas de sobrevivência do líder e das suas equipas.

E só falta mesmo um conselho final antes de descolar… Desligar todos os equipamentos electrónicos, endireitar as mesas e cadeiras e relaxar… pois estamos em “boas mãos”… Estes equipamentos electrónicos não poderiam ser mais semelhantes a ideias pré-concebidas e mensagens que podem influenciar negativamente o estabelecimento de um clima onde a confiança deverá ter pleno lugar… Confiar no líder, na sua liderança, mas também confiar nos membros de uma equipa que tem um único objectivo – chegar ao destino final cumprindo padrões e níveis de serviço e satisfação – onde o reconhecimento tem um papel essencial, sustentado e consequente só pode materializar-se numa enorme emoção conjunta de à chegada poder celebrar-se a conquista de um novo carimbo no passaporte de toda uma equipa!

E agora chegou o momento… “atenção tripulação, preparar take-off” rumo à excelência na liderança!

Boas viagens!

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