A secretária está a matar-nos!

Human Resources
27 de Junho 2025 | 10:59
A secretária está a matar-nos!

Por Tiago Santos, CEO da Workwell

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Marta é gestora de projectos numa grande empresa. Trabalha bem, entrega tudo a horas, participa em todas as reuniões, sempre sentada! Quando começou, adorava o trabalho. Hoje, sente dores físicas constantes, a ansiedade cresce e tem dificuldades de concentração.

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O médico foi claro: “precisa de se mexer mais”.

Como a Marta, milhares de colaboradores estão a viver as consequências silenciosas de um estilo de vida sedentário, alimentado por longas horas de trabalho sentado, poucas pausas e pressão constante. O pior é que normalizámos este comportamento, estando a roubar-nos bem-estar, saúde mental e produtividade.

Passamos, em média, mais de 9 horas por dia sentados, mais do que dormimos! E mais do que qualquer outra actividade na nossa vida. E enquanto isto, o corpo perde mobilidade, o cérebro perde oxigénio e a mente mergulha num nevoeiro constante de cansaço, ansiedade e falta de foco. A cadeira do escritório transformou-se num dos maiores inimigos da saúde moderna e a maior parte das nós nem se dá conta!

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Já ouviu falar da sitting desease?

O termo pode parecer alarmista, mas é real: a “doença de estar sentado” (sitting disease) já é reconhecida como um factor de risco para mais de 35 doenças crónicas, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o sedentarismo é hoje o 4.º maior factor de risco de morte a nível global. Mas o problema vai muito além do físico, afecta também a mente, o humor e a performance cognitiva.

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Estudos recentes indicam que o comportamento sedentário está associado a um aumento de até 31% no risco de desenvolver sintomas de depressão (Zhai et al., 2015 – British Journal of Sports Medicine). O movimento físico regula neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, responsáveis pelo humor e pela motivação. Já o sedentarismo prolongado está associado à redução do fluxo sanguíneo cerebral, o que compromete a capacidade de concentração, resolução de problemas e criatividade. Precisamente as competências mais valorizadas nas organizações de hoje.

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Mas não se trata apenas de saúde individual, o impacto organizacional também é evidente. O sedentarismo está ligado a fenómenos como o presenteísmo, diminuição da produtividade, e o aumento do absentismo por doenças físicas e emocionais.
Segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ambientes sedentários contribuem para uma redução de até 20% na performance geral dos trabalhadores.

Além disso, estudos da Harvard Business Review mostram que colaboradores mais activos apresentam melhores níveis de concentração, engagement, e maior capacidade de adaptação ao stress e à mudança.

Com o crescimento do trabalho remoto, especialmente após a pandemia, surgiram novos desafios. Sem deslocações, sem intervalos sociais e sem cadeiras ergonómicas, muitos colaboradores passaram a trabalhar do sofá, da cama, da mesa da cozinha, durante horas sem pausas. Um estudo conduzido pela Universidade de Stanford mostrou que, em média, trabalhadores remotos movem-se 32% menos ao longo do dia do que quando estão no escritório, o que agrava sintomas como fadiga, stress, irritabilidade e insónia.

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A boa notícia? Podemos inverter esta tendência com estratégias simples, baratas e baseadas na evidência:

  • Levantar-se a cada 30-60 minutos para caminhar, alongar ou mudar de posição.
  • Trabalhar de pé. Estudos mostram que o uso de standing desks reduz em média 1h30 por dia de tempo sentado.
  • Reuniões a andar para estimular a criatividade e quebrar a monotonia postural.

A empresas também podem incentivar o movimento como parte da cultura da empresa, incluindo desafios semanais, workshops e acções de formação em ergonomia.

Ignorar o sedentarismo é perpetuar uma cultura de desgaste físico e mental. As organizações que liderarem esta mudança não estarão apenas a proteger a saúde dos seus colaboradores, estarão a activar o melhor das suas equipas, corpo e mente.

“Não é preciso transformar o escritório num ginásio. Basta tirar o corpo da inércia.”
— OMS, 2020

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