
Lideres servidores como alternativa aos populares
Por Alexandra Barosa, directora executiva do Curso de Coaching Executivo da Nova SBE e Managing partner da ABP Corporate Coaching
Nunca fui uma fã particular da Feira Popular e muitas vezes me perguntava porque o gosto por frequentar aquele espaço de diversão. Em mim, os carrosséis despertam uma emoção de intimidação, de um risco que não consigo controlar. A casa dos horrores gera-me uma emoção de agressividade para a qual tenho de ter sistemas de defesa ativos e, na casa dos espelhos, fico com a sensação de que os egos se multiplicam sem tomar consciência de quem na realidade são e para onde caminham. No entanto, há os que gostam de emoções fortes. Gostam do popular, do aqui e do agora. Gostam de dar gritos surdos de descontentamento perante uma realidade que lhes foge do controlo. E, apesar de não saberem o caminho e as consequências que irá tomar, o mais importante será que no momento presente precisam de algo diferente da realidade que veem. Estão ansiosos por emoções fortes. Por emoções que desafiem os modelos instalados e que mexam na estrutura do mais do mesmo.
E, assim, caminhamos para uma realidade em carrossel, com situações que nos deixam horrorizados ou perplexos. A única realidade que é proposta como alternativa e que todos conseguem patrocinar, porque apenas têm disponibilidade financeira para um bilhete de entrada na Feira Popular.
Hoje já entendo a emoção de ir à Feira Popular, nomeadamente quando não temos alternativas. Alternativas de verdadeiro serviço público junto das quais possamos continuar a ter emoções, contudo mais limpas de adversidades perante a incerta que é agora contínua, e sobretudo com riscos que possam ser encarados com positividade, isto é, sem sobressaltos, horrores ou deformações de personalidade.
O líder-servidor é aquele que coloca o serviço aos outros acima dos seus próprios interesses ou dos interesses de qualquer estrutura partidária. É alguém focado em escutar ativamente a realidade sem deixar de fora partes, eventualmente sem grande representação eleitoral. E é alguém interessado em integrar as diferenças, não alimentando as divisões.
Precisamos de reconhecer e acarinhar quem quer entrar e fomentar o alinhamento num espaço onde os profissionais se sintam valorizados pelo seu trabalho para termos educação e saúde com dignidade, num espaço onde os apoios financeiros são encarados como medidas apenas perante momentos difíceis, num espaço onde consigamos habitar condignamente e ter condições financeiras para que a comida chegue ao final do mês, e num espaço que escute também as pessoas mais afastadas dos centros económicos que necessitam de mobilidade para algum equilíbrio sistémico.
Precisamos de saudar e exigir líderes servidores, que se exponham em próximos círculos eleitorais para que as diversões e distrações sejam de uma vez por todas canalizadas para feiras e parques próprios para o efeito. Para termos um mundo alinhado com a visão da Internacional Coaching Federation – um mundo onde o trabalho tem sentido, as pessoas se sentem capacitadas e o progresso é real.