O estudo “Impacto das Deslocações Casa-Trabalho”, da Michael Page, que envolveu mais de 12 mil profissionais europeus, revela conclusões surpreendentes.
A análise realizada pela Michael Page, empresa líder em recrutamento e selecção especializada, revela que 37% dos inquiridos portugueses demora diariamente entre 15 a 30 minutos para realizar o percurso casa-trabalho. Apenas 25% demora mais de 45 minutos. Portugal apresenta uma média inferior à Europa no geral, que fica nos 39,3%, especialmente impulsionada por países como Turquia, França, Bélgica e Itália (52,1%, 47,1%, 46,8 e 44,5%, respectivamente). Curiosamente, a média portuguesa é também mais baixa que a espanhola (27,7%), a sueca (37,9%) e a holandesa (38,6%).
14% dos inquiridos demora menos de 15 minutos na deslocação casa-trabalho e 24% afirma demorar entre 31 a 45 minutos.
«O tempo despendido diariamente nas deslocações casa-trabalho tem um impacto considerável nos níveis de cansaço, stresse e ansiedade acumulados, contribuindo para uma diminuição mais rápida da energia e produtividade dos colaboradores ao longo da semana. Portugal é, entre os países analisados na região europeia, o que apresenta melhor média. Algo muito positivo, principalmente se considerarmos o exemplo da Bélgica, um país geograficamente mais pequeno mas que apresenta uma média bastante elevada de 46,8%” explica Álvaro Fernández, director-geral da Michael Page.
Os inquiridos demonstraram, na sua maioria, preferência por meios de transportes privados. 80% afirma deslocar-se diariamente utilizando meio de transporte próprio e destes apenas 19% partilha o veículo. A percentagem de inquiridos portugueses que se desloca em meio de transporte próprio é consideravelmente superior à média europeia, de apenas 66%.
O feedback dado pelos inquiridos sobre os transportes públicos revela que 30% considera os transportes públicos um meio de transporte pouco eficiente e 28% um meio de deslocação stressante. Destes 30%, apenas 27,5% considera a possibilidade de passar a deslocar-se utilizando transportes públicos. No entanto, os indivíduos que se deslocam utilizando a rede de transportes públicos indica como principais benefícios o facto de ser um meio de transporte mais económico (69%) e a forma mais rápida de se deslocarem (54%).
O tempo despendido na deslocação casa-trabalho e a sua imprevisibilidade, maioritariamente devida ao trânsito e acidentes de viação, afecta também a pontualidade dos profissionais portugueses.
Do total de inquiridos, 41% revela chegar tarde ao trabalho e 24% afirma já começar o dia de trabalho stressado e ansioso. O estado de stress e ansiedade a que grande parte dos profissionais portugueses está sujeito, causado pela deslocação casa-trabalho, começa em muitos casos logo ao acordar: 16% revela acordar ansioso com a perspectiva da deslocação e 11% revela acordar nervoso. O impacto verifica-se também nas horas de sono: 40% afirma acordar entre as 06h00 e as 07h00 para poder chegar atempadamente ao local de trabalho. Apenas 9% acorda após as 08h00.
«É preocupante verificar que uma percentagem tão elevada de indivíduos revela já acordar ansioso e nervoso, apenas com a perspetiva do percurso que têm que fazer. De acordo com vários estudos médicos conhecidos, o stresse provocado pelas deslocações para o trabalho pode contribuir para o aumento da pressão arterial, distúrbios músculo-esqueléticos e desempenho cognitivo,» alerta Álvaro Fernández, director-geral da Michael Page.
«Contudo, é também interessante observar que, quando comparamos os resultados de Portugal com os de outros países da região europeia, encontramo-nos 10 pontos percentuais abaixo da média europeia,» acrescenta. A média portuguesa é de 23,9% face a uma média europeia de 33,6%.
Apesar das dificuldades diárias e dos seus efeitos negativos na saúde e produtividade dos profissionais portugueses, apenas 33% considera provável mudar de local de trabalho para reduzir o tempo gasto diariamente na deslocação casa-trabalho. A média europeia é de 39,5%.
Álvaro Fernández ressalva que «apesar de Portugal revelar valores saudáveis face ao resto da Europa, é importante contrariar os efeitos negativos das deslocações diárias. Muitas empresas procuram actualmente implementar soluções que permitam às suas equipas trabalhar mais perto de casa. O trabalho remoto e a flexibilização do tempo, por exemplo, podem ser uma pausa importante nas deslocações semanais e possibilitar a redução dos custos associados à manutenção e ao espaço de escritórios, além dos custos de deslocação para os colaboradores.»
Após o horário de trabalho, 70% dos inquiridos afirma ir directamente para casa, sem realizar qualquer tipo de actividade de lazer.














