
Rui Miguel Nabeiro, Delta Cafés/ Grupo Nabeiro: Liderar, um exercício de humildade
No âmbito do especial dos 15 anos da Human Resources, desafiámos responsáveis de empresas a perspectivarem os pontos-chave da liderança para os próximos 15 anos.
Por Rui Miguel Nabeiro, CEO da Delta Cafés/ Grupo Nabeiro
Celebrar os 15 anos da Human Resources é também uma boa oportunidade para reflectir sobre como evoluímos enquanto líderes e onde queremos estar nos próximos 15. Na Delta, acreditamos que liderar é, antes de tudo, cuidar. E cuidar exige presença, escuta, humildade e visão.
Vivemos tempos que pedem uma liderança com alma. Uma liderança que, mais do que comandar, sabe inspirar. O que está a mudar nas empresas – e de forma irreversível – não é apenas a tecnologia, mas a forma como as pessoas se relacionam com o trabalho, com os líderes e com os valores das organizações. A disrupção não está só nos algoritmos ou na inteligência artificial. Está no novo contrato emocional entre empresa e colaborador.
Na Delta, temos sentido isso com clareza. Os nossos colaboradores procuram cada vez mais sentido no que fazem, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, espaço para serem quem são. Isso exige de nós, líderes, uma capacidade maior de adaptação e, acima de tudo, de coerência. Se dizemos que colocamos as pessoas no centro, então temos de criar contextos onde o bem-estar é real, onde a escuta é activa e onde cada um sente que pode contribuir com a sua voz.
O projecto das nossas Coffee House Experience nasceu precisamente dessa escuta: ouvimos os nossos clientes, as nossas equipas e criámos um espaço que representa quem somos hoje – uma marca com história, mas com vontade de experimentar e de inovar. Liderar é isso mesmo: respeitar o passado, honrar o legado e, ao mesmo tempo, abrir caminhos novos.
Nos próximos anos, os líderes mais eficazes serão os que souberem conjugar visão estratégica com empatia. Serão os que compreenderem que a autoridade não vem do cargo, mas da confiança que conseguem gerar. Que o respeito não se impõe, conquista-se, dia a dia.
O líder de 2030, se quisermos desenhá-lo, será alguém com coragem para decidir, mas também com humildade para ouvir. Alguém que saiba trabalhar com equipas diversas, que aprenda com os erros e que valorize as vitórias colectivas acima dos feitos individuais.
Na Delta, temos aprendido isso ao longo de gerações. O meu avô, Rui Nabeiro, ensinou-nos que as pessoas são o princípio e o fim de tudo. Essa herança continua viva, mas temos consciência de que o futuro se constrói com novas ferramentas, novas abordagens e novos desafios. Por isso, investimos na formação das nossas lideranças, na digitalização dos processos, mas também – e talvez acima de tudo – numa cultura de proximidade.
Claro que há obstáculos. A mudança exige coragem. Romper com modelos de liderança hierárquicos e distantes não é simples. Mas a verdade é que as pessoas não seguem quem manda, seguem quem cuida, quem acredita nelas, quem lhes dá espaço para crescer.
Liderar nos próximos 15 anos será, mais do que nunca, um exercício de humanidade. E isso, para nós, é uma boa notícia. Porque é exactamente aí – na relação, na escuta, na entrega – que sempre encontrámos o nosso propósito.
Este artigo faz parte do Tema de Capa publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.