
O poder magnético de uma love brand: como atrair os melhores talentos
Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, onde a escassez de talento é uma realidade incontornável em muitos sectores, as empresas enfrentam um desafio fundamental: como distinguir-se como empregador?
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Este desafio evidencia a importância da construção de uma marca empregadora sólida, que seja capaz de apresentar não apenas uma oferta de emprego, mas uma proposta de valor emocional tão envolvente que consiga criar uma ligação genuína com os melhores talentos.
Neste sentido, o marketing de produto tem um conceito que cada vez mais ganha uma nova dimensão no contexto empresarial: o de love brand. As empresas que conseguem posicionar-se como love brands criam um efeito magnético na atracção de candidatos que procuram algo que seja mais do que um simples emprego. Mais do que trabalhar, estes candidatos querem fazê-lo numa empresa com valores que se alinham com os seus, onde possam desenvolver-se profissionalmente ao mesmo tempo que contribuem para um propósito maior.
Esta transformação no mercado de trabalho resulta de uma estratégia deliberada de employer branding que reconhece uma questão fundamental: os melhores talentos não se limitam a escolher uma empresa para trabalhar; escolhem uma marca para representar. E quando essa marca consegue estabelecer uma ligação emocional profunda com o seu público, o resultado é uma capacidade de atracção que vai muito além dos tradicionais pacotes de benefícios.
O fenómeno da love brand no contexto do trabalho representa uma evolução natural. Se uma marca empregadora forte comunica eficazmente a proposta de valor da empresa enquanto local de trabalho, uma love brand vai mais longe: cria uma relação emocional que faz com que os profissionais desejem genuinamente fazer parte da organização. É a diferença entre querer trabalhar numa empresa e querer pertencer a uma marca.
Muitas empresas começam agora a perceber esta dinâmica e investem consistentemente na construção de uma identidade empregadora que reflecte não apenas o que fazem, mas aquilo em que acreditam. O propósito torna-se central na narrativa organizacional, funcionando como um factor de atracção para profissionais que procuram trabalho com significado. Esta abordagem revela-se particularmente eficaz na atracção de jovens talentos, um segmento que valoriza particularmente a autenticidade e o propósito no trabalho.
Quando uma organização consegue estabelecer-se como marca empregadora de referência, verifica-se um fenómeno interessante: em vez de ter de procurar candidatos, passa a ser procurada pelos melhores profissionais do mercado. Estes candidatos não respondem apenas a ofertas de emprego; respondem ao apelo de uma marca que admiram e com a qual se identificam.
A construção de uma love brand no contexto do trabalho exige consistência em múltiplas dimensões. Desde a cultura organizacional até à comunicação externa, passando pelas práticas de gestão de pessoas, todos os elementos devem estar alinhados para criar uma experiência coerente e autêntica. Uma coerência que é fundamental porque os profissionais de hoje são mais informados e exigentes, e detectam facilmente incongruências entre o discurso e a prática.
A autenticidade surge, assim, como factor crítico de sucesso. Numa era de transparência digital, onde a informação circula rapidamente, as empresas já não podem permitir-se construir uma imagem que não corresponda à realidade.
Reconhecimento e reputação
Neste contexto, o reconhecimento desempenha um papel crucial na consolidação de uma love brand. Quando uma empresa é consistentemente reconhecida pela sua excelência enquanto local de trabalho, cria-se um ciclo virtuoso que amplifica a sua capacidade de atracção de talento. Este reconhecimento pode assumir várias formas: certificações como “Great Place to Work”, prémios de “Melhor Empregador”, ou rankings sectoriais.
Por outro lado, o reconhecimento dá credibilidade às mensagens que a empresa comunica sobre si própria enquanto local de trabalho. Quando os candidatos vêem que uma organização é consistentemente premiada pela sua excelência enquanto empregador, isso reduz significativamente a percepção de risco associada à decisão de carreira.
Mais do que isso, o reconhecimento contribui para a criação de um sentimento de orgulho associado à marca. Os profissionais querem trabalhar em empresas que são admiradas e respeitadas no mercado, dado que isso tem uma influência positiva na sua própria imagem profissional. Trabalhar numa love brand torna-se, assim, um elemento de valorização do currículo.
As redes sociais e plataformas digitais amplificam ainda mais o poder desta dinâmica. O reconhecimento pode ser rapidamente disseminado através de múltiplos canais, chegando a milhares de potenciais candidatos. Mais importante ainda, os próprios colaboradores tornam-se embaixadores da marca, partilhando organicamente a sua experiência positiva.
Esta abordagem cria um efeito multiplicador na atracção de talento. Quando os profissionais mais talentosos escolhem uma empresa, isso sinaliza ao mercado que se trata de um local de trabalho desejável, atraindo ainda mais talento de qualidade. É um fenómeno que se auto-alimenta: quanto mais uma empresa é reconhecida como excelente local de trabalho, mais atrai os melhores profissionais.
Actualmente, já existem algumas empresas, como a Vodafone, por exemplo, que demonstram como uma estratégia bem executada de marca empregadora pode transformar uma organização numa love brand capaz de atrair consistentemente os melhores talentos. A chave está em compreender que, no mercado de trabalho actual, não basta ser uma boa empresa. É preciso ser uma marca que os profissionais se sentem genuinamente orgulhosos de representar, criando um ciclo virtuoso de atracção e crescimento.
Este artigo faz parte da edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.