
É possível ser feliz sem bem-estar?
Por Maria Duarte Bello, CEO da MDB – Coaching e Gestão de Imagem
Muitas vezes acreditamos que, para ser feliz, precisamos primeiro de conquistar bem-estar: ter saúde, conforto, segurança, estabilidade. Sem dúvida, estas condições tornam a vida mais leve e criam uma base importante para o florescimento humano. No entanto, a experiência mostra que a felicidade pode surgir mesmo quando o bem-estar não está plenamente garantido.
A felicidade é um estado mais subjectivo, ligado ao sentido, às emoções e aos vínculos. Por isso, pode surgir em lugares e momentos inesperados, mesmo no meio das dificuldades. Uma mãe cansada, sem tempo para si, pode sentir uma alegria profunda ao ouvir o riso do filho. Alguém que atravessa uma doença pode experimentar felicidade genuína ao sentir-se amado e apoiado pela família. Pessoas que vivem em contextos de escassez material muitas vezes encontram felicidade no convívio comunitário, na partilha ou em pequenos momentos de beleza e esperança.
Estes exemplos mostram que a felicidade não depende apenas das condições externas, mas também da forma como interpretamos a vida. Quem encontra propósito, quem cultiva gratidão ou quem se conecta de maneira autêntica com os outros pode experimentar felicidade mesmo em circunstâncias de pouco bem-estar.
Mas é preciso reconhecer: viver feliz sem bem-estar contínuo exige uma força interior especial. Não é fácil sustentar a felicidade quando faltam necessidades básicas, quando a saúde está frágil ou quando a vida é marcada pela insegurança constante. O bem-estar funciona como um solo fértil: sem ele, a felicidade pode até brotar, mas dificilmente se mantém de forma duradoura.
Por isso, podemos dizer que sim, é possível ser feliz sem bem-estar mas não é nada simples. O bem-estar oferece estabilidade, enquanto a felicidade dá profundidade. Juntos, tornam a vida mais plena. Separados, mostram a incrível capacidade humana de encontrar luz até nas sombras, mas também a fragilidade de uma felicidade que não encontra apoio no cuidado consigo mesmo e nas condições ao redor.
O que podemos retirar daqui é que devemos aprender a valorizar os momentos de felicidade mesmo quando o bem-estar não está completo e, ao mesmo tempo, cuidar das bases da vida, para que essa felicidade tenha espaço para florescer e durar.