“Quiet promotion” é uma nova tendência nas empresas. E não é boa…

Mais trabalho, o mesmo salário. Um dia está a actualizar documentos de excel. No dia seguinte, está a assumir a sua própria equipa. A responsabilidade acumula-se, mas o salário permanece inalterado. É a chamada “promoção silenciosa” (ou quiet promotion) e está a tornar-se cada vez mais comum, noticia a Fortune.

 

O motivo? Não só é mais barato do que uma promoção formal, como também é uma forma discreta de testar o desempenho. Além disso, também permite que os líderes não se comprometam, revela Selena Rezvani, especialista em ambiente de trabalho. «É basicamente uma forma de testar a liderança de alguém sem se comprometer com um cargo», explicou Rezvani à Fortune.

«Por vezes, os líderes estão a ‘empurrar com a barriga’ nas discussões (e decisões) sobre salários reais ou promoções, enquanto vão dando mais responsabilidades. Evitar conversas difíceis cria mais confusão e ressentimento; por outro lado, abordar os problemas directamente gera confiança«, acrescenta Rezvani.

O que podem os colaboradores fazer?

As promoções silenciosas podem acontecer a uma vasta gama de colaboradores, mas os trabalhadores da Geração Z, ávidos por qualquer cargo que consigam, podem ser mais vulneráveis ​​a que lhes seja pedido que façam mais do que aquilo que foram contratados para fazer — ou até mesmo do que aquilo que conseguem suportar. Resvani destaca três formas de combater a responsabilidade adicional:

Chame as coisas pelos nomes: «Realce a responsabilidade adicional como liderança, mesmo que o seu empregador ainda não o faça. Pode começar por: ‘Estou a liderar este projecto há 6 meses… gostaria de falar sobre o que isto significa de forma mais formal’.»

Acompanhe: «Documente o âmbito, os resultados e o impacto. Depois, comunique-os. As promoções silenciosas tendem a passar despercebidas, a menos que as torne visíveis e as enquadre como agregadoras de valor.»

Alavanque: «Mencione isso nos check-ins, na época de avaliações ou quando falar sobre planos de carreira. É a prova de que já está a operar no próximo nível.» Outra forma eficaz de lidar com a assunção de responsabilidades extra sem reconhecimento formal ou remuneração é simplesmente dizer “não” quando apropriado, sugere Rezvani.

«O verdadeiro risco é aceitar qualquer promoção silenciosa sem negociação. Ao fazê-lo, está praticamente a garantir o burnout, para não mencionar a normalização de trabalho não remunerado. Uma atitude inteligente é dizer: ‘Estou entusiasmado por assumir isso. Vamos debater como a minha função e remuneração podem reflectir este âmbito alargado.»

Dizer “não” a responsabilidades extra pode parecer impossível para a Geração Z, mas Rezvani enfatizou que isso não significa que deva dizer “sim” a tudo.

«Recusar pode atrasar o seu caminho nessa empresa, mas não apaga o seu valor noutras. Se sente que a sua rentabilidade está a diminuir na sua empresa actual, está na hora de iniciar uma procura no mercado de trabalho.”

Para os chefes, dar aos colaboradores uma promoção sem remuneração pode parecer um sinal de crescimento na carreira, mas um inquérito da ADP mostra que isso pode ser contraproducente. Em apenas um mês após as novas responsabilidades, quase 29% dos colaboradores abandonam a empresa, em comparação com apenas 18% que teriam saído sem a promoção. Para alguns trabalhadores, uma promoção sem remuneração justa torna-se a luz verde para actualizar o currículo e assumir o novo cargo onde se sentem valorizados.

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