Vem aí a mudança da hora. Tem uma consequência bem pior do que anoitecer mais cedo

Com a chegada do Outono, os dias ficam mais curtos, a luz natural escasseia e passamos mais tempo em casa. Para algumas pessoas, isto é apenas um detalhe. Para outras, esta transição tem impacto directo no bem-estar psicológico, principalmente quando chega a mudança para a hora de inverno (que este ano é na noite de 25 para 26 de Outubro).

 

Cátia Silva, psicóloga Clínica especializada em Ansiedade, Depressão, Autoestima, Luto, Burnout e PHDA, partilha que, nesta altura do ano, escuta muitas vezes frases como: “tenho-me sentido mais em baixo”, “não tenho energia” ou “parece que tudo custa o dobro”. E estas “queixas” não devem ser desvalorizadas, já que podem ter origem na depressão sazonal.

A depressão sazonal (ou Transtorno Afectivo Sazonal) é um subtipo de depressão que surge de forma cíclica, associada às mudanças de estação. O tipo mais conhecido é o de início do outono/inverno, relacionado com a diminuição da exposição à luz solar, que afecta:

. O ritmo biológico (sono, energia, disposição);

. A serotonina, neurotransmissor essencial para o humor;

. A melatonina, hormona que regula o sono e que, em excesso, aumenta a sensação de letargia.

 

Quem pode ser mais afectado?

Cátia Silva refere que, na sua prática clínica, observa que este fenómeno é mais frequente em:

. Pessoas com histórico de depressão ou ansiedade;

. Mulheres, com maior prevalência;

. Quem vive em zonas com grandes variações de horas de luz ao longo do ano;

. Pessoas com dificuldade em adaptar-se a mudanças de rotina.

 

Sinais de alerta

Estes são alguns dos sinais a que deve estar atenta(o):

. Humor deprimido quase todos os dias;

. Perda de interesse em actividades que antes davam prazer;

. Alterações de sono (dormir demasiado ou insónia);

. Alterações de apetite (normalmente aumenta no inverno);

. Fadiga ou, pelo contrário, agitação;

. Dificuldades de concentração;

. Isolamento social;

. Sentimentos de desesperança.

 

Cátia Silva refere que, se estes sintomas persistirem por mais de duas semanas e afectarem o seu funcionamento diário, é importante procurar ajuda.

 

Estratégias que ajudam

O acompanhamento psicológico é fundamental, mas existem estratégias que podem ajudar a reduzir o impacto da mudança de estação:

 

. Procurar luz natural sempre que possível;

. Praticar actividade física regular;

. Manter uma rotina de sono consistente;

. Apostar numa alimentação equilibrada;

. Não ceder ao isolamento, manter contacto social é essencial;

. Recorrer a psicoterapia para compreender e gerir os sintomas.

 

A depressão sazonal mostra como a saúde mental é sensível ao contexto. Esta é uma condição real, que merece validação e tratamento.

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