Um chefe demasiado simpático pode esconder um problema…

Só porque o seu chefe é simpático, não significa que seja bom naquilo que faz — ou vice-versa, diz Ben Askins, empreendedor e autor de “My Boss Is A Moron: Strategies to Manage Up and Thrive in Any Workplace”, à CNBC Make It.

Muitos profissionais têm uma visão distorcida do que faz de alguém um bom gestor, de acordo com Askins. Alguns colaboradores acreditam que um bom chefe é alguém simpático, que pergunta como correu o fim-de-semana ou encomenda pizzas para a equipa uma vez por mês, por exemplo.

Por outro lado, se o seu chefe não faz estas coisas, significa que é um mau gestor? Também não, diz Askins. «Quando digo um bom chefe… não me refiro apenas a alguém com quem se pode sair para beber um copo depois do trabalho. Estou a falar de liderança competente», explica.

Askins, co-fundador da Gaia, uma empresa de software ambiental com sede em Londres, partilha conselhos de carreira e liderança com mais de 1,23 milhões de seguidores nas suas contas de TikTok e Instagram.

«Não tem de gostar do seu chefe, e ele pode ser um líder perfeitamente bom. Há exemplos de bons líderes de quem as pessoas não gostam especialmente, mas são consistentes, têm bons instintos e fazem tudo bem em relação à liderança.»

Obviamente ninguém deve permanecer numa função sob a supervisão de um chefe tóxico, até porque, segundo os especialistas, os chefes indiferentes ao bem-estar e sucesso das suas equipas são também gestores ineficazes.

Quando um chefe é demasiado simpático

Um chefe demasiado educado ou simpático pode ter mais dificuldade do que os seus pares em tomar decisões difíceis ou fazer críticas construtivas que o podem ajudar a progredir na carreira.

«A determinada altura, é preciso haver um nível consistente de competência e normas, e elas têm de ser aplicadas. Digo sempre: “Se não tem um chefe que lhe diga o que está a fazer mal, não tem um bom chefe”», realça Askins.

Por esta razão, a coach de liderança e ambiente de trabalho Phoebe Gavin também recomenda que os colaboradores mantenham limites claros com os seus chefes, ou seja, sem amizades, disse à CNBC Make It. Estas relações podem resultar em preconceito ou favoritismo, especialmente em situações de tomada de ​​decisões difíceis.

«Se, no final do dia, o chefe do seu chefe disser: “Já não podemos manter o seu amigo. Tem de o despedir”, sabe o que o seu chefe vai fazer? Despedi-lo. Até pode chorar na chamada do Zoom consigo, mas vai fazê-lo, sem dúvida», disse Gavin.

De acordo com Tessa West, psicóloga social e professora na Universidade de Nova Iorque, existem formas de ultrapassar esta bondade extrema e obter um feedback real e prático. Comece por pedir críticas honestas e construtivas sobre pequenas coisas e construa a partir daí, sugeriu à CNBC Make It.

«Peça coisas que as pessoas não considerem ameaçadoras, que não violem o padrão de bondade, como por exemplo “Esta é uma boa fonte para a apresentação de amanhã?”.» Depois, com o tempo, «vá evoluindo para coisas que sejam de natureza um bocadinho mais crítica».

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