
Está pensar comprar casa? Conseguir crédito habitação pode estar a ficar mais fácil
O mercado imobiliário português dá sinais de mudança e o cenário para quem procura crédito habitação começa finalmente a aliviar depois de anos de forte pressão financeira. O Comparaja reuniu informação sobre o tema.
As taxas de juro da habitação registaram uma nova descida, fixando-se nos 3,18% em Outubro, o que representa um alívio significativo para quem pondera comprar casa. Paralelamente, começam a surgir correcções nos preços em algumas zonas de Lisboa e Porto, depois de vários anos marcados por subidas contínuas que afastaram muitos potenciais compradores.
Em bairros tradicionalmente mais pressionados, sobretudo áreas centrais e freguesias com maior procura de alojamento local, verifica-se agora uma desaceleração do valor por metro quadrado, impulsionada pela combinação de menor capacidade das famílias para suportar preços elevados e por uma maior prudência por parte dos investidores.
Em Lisboa, zonas como Arroios, Penha de França ou Alcântara começam a registar ajustamentos, enquanto no Porto a tendência sente-se sobretudo em Campanhã, Bonfim e parte de Ramalde. Embora as descidas não sejam generalizadas, a existência destes primeiros recuos está a reabrir espaço para negociação, algo que nos últimos anos praticamente desapareceu do mercado.
Para muitos compradores, especialmente jovens e famílias à procura de primeira casa, estas correções podem significar a diferença entre um orçamento que não chegava e uma entrada finalmente possível no mercado. Além disso, especialistas apontam que, se as taxas de juro continuarem a aliviar, é provável que mais proprietários se sintam motivados a ajustar preços para concretizar vendas mais rápidas num mercado que, embora ainda competitivo, se encontra a entrar numa nova fase de equilíbrio.
Por outro lado, o Governo prepara-se também para avançar com novas medidas no âmbito do Orçamento do Estado para 2026, com o objectivo de reforçar os apoios à compra da primeira casa, especialmente para jovens.
Um dos exemplos mais significativos em discussão é o reforço do apoio à entrada inicial, através de um modelo em que o Estado pode assumir parte da garantia necessária ao banco. Na prática, isto permitiria que jovens com rendimentos estáveis, mas sem poupança suficiente para a entrada de 10% a 20%, conseguissem avançar para a compra da casa sem terem de esperar anos para juntar o valor.
Esta medida, a par de benefícios fiscais associados à compra de primeira habitação, tem o potencial de desbloquear o acesso ao crédito para milhares de famílias que hoje continuam afastadas do mercado por falta de capital inicial.
Outra mudança relevante está na forma como os consumidores avaliam a sua capacidade financeira. Dados do ComparaJá mostram que há um volume considerável de análises feitas pelos utilizadores antes de avançarem com qualquer decisão, reflectindo uma procura crescente por informações concretas antes da contratação.
Para Pedro Castro, head of Operations de Crédito Habitação do ComparaJá, esta evolução representa, «um ponto de viragem para muitas famílias que estiveram meses à espera de um sinal positivo. Com juros a descer e maior transparência no processo, os portugueses conseguem finalmente tomar decisões com mais confiança.»
Num contexto onde a dúvida reinava, começa agora a desenhar-se um cenário mais favorável para quem sonha com casa própria.