Tendências para a Gestão de Pessoas em 2026. Talento, transparência e equilíbrio, identifica a Adecco

Alexandra Andrade, Country manager da Adecco Portugal, identificou três tendências que vão marcar o mundo do trabalho e da Gestão de Pessoas em 2026.

 

O mundo do trabalho está a entrar numa nova fase. Se os últimos anos foram marcados por transformação acelerada, 2026 será o ano em que muitas dessas mudanças se consolidam — e outras se intensificam. Num contexto de inflação persistente, pressão sobre os custos operacionais e escassez de talento qualificado, a gestão de pessoas assume-se como um dos eixos centrais da estratégia empresarial. A partir da experiência no terreno e da análise dos nossos estudos mais recentes, identificamos três tendências que vão moldar o futuro da gestão de talento em Portugal no próximo ano.

O talento vai escolher onde quer estar — e porquê

A disputa por talento já não se resolve apenas com salários competitivos ou políticas de teletrabalho. Os profissionais, sobretudo os mais qualificados, estão mais conscientes do seu valor e mais exigentes na escolha das organizações com quem querem trabalhar. Procuram contextos onde possam crescer, ser valorizados e sentir que o seu trabalho tem impacto. Em 2026, não bastará “ter uma vaga” — será essencial apresentar uma proposta de valor clara, transparente e personalizada. Culturas de pertença, mobilidade interna e propósito partilhado serão factores-chave para atrair e fidelizar talento.

Transparência salarial: de tendência a inevitabilidade

A transparência salarial deixou de ser uma opção e caminha rapidamente para se tornar um requisito. Com a aproximação da entrada em vigor da directiva europeia sobre igualdade de remuneração, as empresas terão de rever não só as suas práticas, mas também a forma como comunicam os seus critérios salariais. Embora este processo possa gerar resistência, quando bem gerido, constrói confiança, reduz desigualdades e reforça a reputação da empresa junto de candidatos e colaboradores. O nosso Guia Salarial Adecco confirma esta tendência: os profissionais valorizam cada vez mais a equidade e a clareza, especialmente em sectores como tecnologia, consultoria e serviços especializados.

Equilíbrio emocional será determinante para a produtividade

A ideia de que se produz mais trabalhando mais horas está a ser desafiada — e 2026 será o ano em que essa mudança de paradigma se tornará mais evidente. Bem-estar, autonomia e segurança psicológica são agora factores directamente ligados à performance. De acordo com o nosso estudo “Workforce of the Future”, os colaboradores que se sentem respeitados, ouvidos e com espaço para gerir o seu tempo são os que mais se envolvem com os objectivos da empresa. Modelos flexíveis, semanas de quatro dias, foco na saúde mental e novas métricas de desempenho orientadas para impacto — e não apenas presença — vão distinguir as organizações mais preparadas para o futuro.

No fundo, 2026 será o ano da intencionalidade estratégica. A Gestão de Pessoas deixará de ser apenas reactiva e passará a desempenhar um papel central na diferenciação competitiva. As empresas que souberem alinhar objectivos de negócio com as expectativas dos seus profissionais — com coragem, visão e consistência — estarão mais bem posicionadas para liderar o futuro do trabalho.

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