Chegou o “grande achatamento” às empresas. Sabe em que consiste?

O “great flattening” (ou grande achatamento) é uma tendência na estrutura organizacional na qual as empresas estão a acabar deliberadamente com as funções de gestão intermédia para diminuir hierarquias, reporta o HRD.

Em vez de ter um líder de equipa que reporta a um gestor, que por sua vez reporta a um gestor sénior, ao director e, finalmente, à gestão de topo, as organizações estão a eliminar muitos destes títulos. O resultado são equipas maiores por gestor, com um contacto mais directo entre os líderes seniores e a equipa operacional.

A Revelio Labs descobriu que, em Outubro de 2025, os empregadores anunciavam menos 42% de vagas para gestão intermédia do que no pico de Abril de 2022 e, ao contrário de outras funções, estes anúncios não recuperaram. Os mesmos dados revelam que a contratação de gestores intermédios caiu 43%, enquanto as vagas de liderança sénior diminuíram 57%.

Entretanto, a Gartner revelou que 20% das organizações utilizarão a IA para “achatar” a sua estrutura, eliminando mais de metade dos cargos de gestão intermédia.

São vários os motivos pelos quais as organizações estão a optar por eliminar a gestão intermédia. Os principais benefícios são o aumento da agilidade e da eficiência. Com menos níveis hierárquicos, a velocidade na tomada de decisões pode ser significativamente melhorada. A estrutura mais horizontal permite ciclos de feedback mais curtos e possibilita que as equipas actuem mais rapidamente, sem necessidade de aprovações constantes. Também minimiza a necessidade de reuniões desnecessárias, uma vez que as equipas não estão isoladas.

Shannon Karaka, directora da Deel para a região Ásia-Pacífico, referiu que a grande simplificação da estrutura hierárquica é vantajosa para o desenvolvimento dos colaboradores, uma vez que estes têm maior acesso a líderes experientes e mais autonomia. «Isto cria uma equipa mais eficiente, capacitada e habilitada para realizar o seu trabalho. Pode ter um impacto positivo nos ambientes de trabalho, impulsionando a eficiência e a inovação.»

O factor financeiro também é relevante. As empresas podem poupar com a redução do pessoal, já que a eliminação da gestão intermédia reduz o encargo salarial e permite que os líderes façam mais com menos.

Pode também ser uma opção atractiva para os candidatos a emprego, disse Karaka, nomeadamente os profissionais mais jovens que procuram maior autonomia e a capacidade de inovar. «Enquanto houver uma grande escassez de talento em sectores-chave, aqueles que conseguirem atrair os melhores profissionais prosperarão.»

Esta estrutura, no entanto, não está isenta de desafios. Exige o engagement dos colaboradores, devido ao maior grau de autonomia e responsabilidade. A confiança é fundamental, afirmou Karaka. Para a alcançar, os líderes devem estabelecer expectativas claras, incluindo objectivos gerais, entregas diárias e prazos, além de manter a visibilidade dos resultados, e não das actividades.

Ler Mais