
Conseguir emprego em 2026: esta estratégia vale mais do que 100 candidaturas
Se a sua resolução de Ano Novo é conseguir um emprego, as probabilidades são assustadoras, noticia o Business Insider. Ao candidatar-se a uma vaga de escritório comum actualmente tem apenas 0,4% de hipóteses de conseguir a vaga.
O que deve um candidato fazer neste cenário? Hoje, o passo mais fundamental em qualquer procura de emprego é definir uma estratégia abrangente que determinará tudo o resto. Face ao extraordinário volume de candidaturas que saturam o mercado, adapta-se candidatando-se ao máximo de vagas possível? Ou segue o caminho oposto e concentra toda a sua energia num número muito reduzido de vagas? É uma escolha que todos os candidatos a emprego enfrentam mais cedo ou mais tarde: priorizar o volume ou a precisão?
Mesmo que esteja com dificuldades, isso não significa que esteja a fazer algo de errado.
Passo 1: Comece com precisão
Partindo do princípio de que está no início da procura de emprego, comece pela abordagem da precisão. Para que isto funcione, é preciso fazer aquilo que toda a gente evita: networking. Conte a todos os que conhece que está à procura de emprego. Telefone a antigos colegas; vasculhe a sua rede de antigos alunos; mencione a sua pesquisa a amigos de amigos. Pergunte-lhes se sabem se as empresas onde trabalham estão a contratar, o que acham de trabalhar lá e se conhecem alguém que esteja a contratar.
O passo seguinte é entrar em contacto com aqueles que não conhece, procurando pessoas que ocupem os cargos que pretende nas empresas para as quais quer trabalhar. Muitos vão ignorá-lo e enviar mensagens a estranhos pode ser confrangedor. Mas se não conhece ninguém dentro das empresas, vale a pena tentar.
Como não é possível fazer este tipo de networking com centenas de empresas, deve escolher bem os seus alvos. E quando escolher, certifique-se de que selecciona os tipos de cargos e empresas para os quais está excepcionalmente qualificado. Não tente ir mais além: este não é o momento para mudar de área, muito menos de carreira, e também não é altura para procurar uma grande promoção. Deve ser capaz de preencher praticamente todos os requisitos da descrição da função.
Porque é que este networking é importante? Em primeiro lugar, pode descobrir vagas mesmo antes de serem anunciadas — o que lhe dará a hipótese de se destacar antes de centenas de outros candidatos. Mais importante ainda, ter esta rede de contactos proporciona-lhe uma comunidade de pessoas às quais pode recorrer para obter referências quando vê vagas nas suas empresas. Aí terá mais hipóteses de passar pela triagem inicial e de sobreviver às várias rondas de entrevistas. No terceiro trimestre de 2025, os candidatos com referências tinham, em média, 4,4% de hipóteses de conseguir todos os empregos a que se candidataram, de acordo com a Greenhouse. Não é uma garantia, mas é melhor do que nada.
Existem outros motivos pelos quais a abordagem precisa é melhor. Em primeiro lugar, ao construir a sua rede de contactos, aprende sobre as empresas a que se está a candidatar, o que o ajudará a saber se realmente gostaria do trabalho (ou pelo menos o toleraria).
Ao candidatar-se a menos vagas, terá também mais tempo para personalizar cada currículo e carta de apresentação para cada uma delas. Sim, existem ferramentas de IA que ajudam a fazer isso rapidamente, mas têm as suas limitações. Terá de dedicar algum tempo a escolher as conquistas específicas da sua carreira que deseja destacar, com base nas especificidades da vaga. Melhor ainda, pode aprender algo útil sobre a vaga através do seu networking, para se diferenciar ainda mais, mostrando que tem aquilo que o recrutador realmente procura.
Ao escolher os seus alvos, provavelmente aumentará as suas hipóteses de conseguir uma entrevista. Isto significa que verá menos rejeições na caixa de entrada todas as manhãs, e isso faz toda a diferença. É frustrante saber que dezenas ou centenas de recrutadores descartaram o seu perfil. Ao ser mais selectivo, pode tornar o processo um pouco mais suportável emocionalmente.
Passo 2: Passe para a quantidade
Após ter feito todo o networking possível, vale a pena alargar a sua rede de contactos e candidatar-se a vagas onde não tem qualquer ligação. Esta abordagem híbrida é recomendada por Alvin Roth, economista vencedor do Prémio Nobel e principal especialista em mercados de recrutamento. Não há provas de que resulte, mas alguns cliques a mais não custa nada.
Sebastian Snijder, um recrutador, tem uma boa fórmula para isso. Deve ainda esforçar-se ao máximo ao candidatar-se às vagas que melhor se enquadram no seu perfil, diz: pense em networking, personalize o seu currículo, etc. Como o mercado está tão mau agora, também vale a pena precaver-se criando um currículo genérico e usá-lo para se candidatar em massa a outras vagas que não se enquadrem tanto no seu perfil. «Não há problema em aceitar um emprego agora, mesmo que não seja o emprego dos seus sonhos.»
Dicas-extra: em primeiro lugar, registe-se para receber alertas de vagas nas empresas para as quais pretende trabalhar e candidate-se às vagas assim que as vir. Com um volume tão elevado de candidaturas, os recrutadores costumam retirar as vagas do ar ao fim de alguns dias. Se vir uma vaga que já recebeu mil candidatos, nem se incomode. Não vai conseguir a vaga.
Em segundo lugar, encontre uma forma de mostrar à empresa que tem interesse. Pode seguir a empresa no LinkedIn; os recrutadores costumam filtrar os candidatos que o fazem. Mais uma vez, não espere muito das vagas para as quais se candidata com a abordagem de grande volume.
Passo 3: Ajuste a estratégia
Em vez de ver as abordagens descritas acima como escolhas binárias, é mais útil pensar nelas como extremos opostos de um espectro. Se atribuir o valor 1 à precisão total e o valor 5 ao volume total, a sua posição nesse espectro dependerá de alguns factores.
Um deles é a experiência. Quanto mais avançado estiver na sua carreira e mais especializadas forem as suas competências, menor será o seu universo de vagas adequadas — o que significa que não existem muitas vagas a que se possa candidatar em massa. Isto significa que deve priorizar a precisão: um 2 na escala.
Se acabou de se formar na faculdade, tem menos experiência para se destacar dos demais, mas ainda pode direccionar a sua carreira para vários caminhos. Além disso, provavelmente ainda não tem muitos contactos profissionais. Por isso, faz mais sentido optar por um pouco mais de volume: um 4 na escala.
Outro factor é o tempo que se pode dar ao luxo de esperar pela vaga ideal. Quanto mais tempo tiver, mais deverá optar por uma abordagem precisa. Não quer esperar tanto tempo ao ponto de as suas capacidades se tornarem obsoletas, mas se puder suportar a espera potencialmente mais longa, geralmente vale a pena dedicar-se totalmente às vagas que realmente deseja (1,5 na escala).
Se o seu objectivo é ter a pesquisa mais curta possível, opte por uma abordagem híbrida (3). Se conseguir uma das vagas aleatórias a que se candidatou em massa, aceite-a por enquanto e comece a procurar novamente quando o mercado melhorar.