
Competências verdes já não são opcionais, são obrigatórias para as empresas prosperarem
A formação em sustentabilidade só cria valor quando é contínua, estratégica e orientada para a prática, porque é isso que permite responder à complexidade que hoje atravessa as decisões empresariais.
Por Inês Faria, especialista de Conhecimento e Formação do BCSD (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) Portugal
No mundo actual, marcado por desafios complexos, interligados e em permanente evolução, as empresas enfrentam níveis de incerteza cada vez mais elevados. Muitos dos obstáculos na integração da sustentabilidade resultam de desafios de execução. Mesmo quando existe intenção e alinhamento estratégico, torna-se evidente um problema estrutural: o défice de competências, técnicas e humanas, necessárias para compreender a complexidade e sustentar decisões informadas.
Esta realidade já se reflecte na evolução do mercado de trabalho. O Future of Jobs Report 2025 do Fórum Económico Mundial aponta para uma transformação significativa das competências até ao final da década, com uma parte substancial da força de trabalho a necessitar de requalificação. Quando se acrescenta a dimensão da sustentabilidade, esta pressão intensifica-se. O LinkedIn Green Skills Report 2025 mostra que a procura por competências verdes cresce a um ritmo superior à sua oferta e que estas competências estão cada vez mais integradas em funções tradicionais. A sustentabilidade deixa, assim, de ser um domínio especializado para se afirmar como uma camada transversal da decisão empresarial, da estratégia à operação.
Neste contexto, o Dia Internacional da Educação, assinalado a 24 de Janeiro, assume uma relevância particular para o mundo empresarial. A ideia de que a formação acaba com a entrada no mercado de trabalho está ultrapassada. Aprender é, hoje, um processo contínuo e estratégico. A capacidade de atualização permanente deixa de ser complementar e passa a afirmar-se como uma condição estrutural de competitividade, resiliência e criação de valor.
Esta mudança redefine o papel das empresas na educação, tornando-as espaços privilegiados de aprendizagem aplicada. Na Academia BCSD Portugal, defende-se que a formação para empresas deve responder à abordagem do just-in-time training (JIT): “o que é que vou fazer segunda-feira quando chegar à empresa?”. Esta é uma abordagem em que a formação é disponibilizada quando a necessidade surge, de forma prática e orientada para a acção, apoiando decisões informadas num contexto de crescente complexidade. Tratar a formação como um conjunto de acções pontuais revela-se, por isso, insuficiente para responder a desafios que exigem pensamento sistémico e capacidade analítica. A aceleração tecnológica reforça esta exigência: a maior facilidade de acesso e implementação não reduz a necessidade de novas competências, pelo contrário, torna ainda mais crítica a capacidade de interpretar, questionar e decidir.
A formação em sustentabilidade só cria valor quando é contínua, estratégica e orientada para a prática, porque é isso que permite responder à complexidade que hoje atravessa as decisões empresariais. Beneficia quem aprende, ao desenvolver competências relevantes, e beneficia as organizações, ao reforçar a sua capacidade colectiva de decidir melhor num ambiente de incerteza permanente. É nesta ligação entre aprendizagem contínua e aplicação prática que a Academia BCSD Portugal ganha significado: a sustentabilidade das empresas depende das competências das pessoas que decidem.