
Há um factor que já vale o dobro do salário na decisão de emprego
O Workmonitor 2026 da Randstad mostra que no que respeita à retenção, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é o principal motivo para 51% dos profissionais permanecerem na função actual, superando a remuneração e benefícios (23%) e a segurança no emprego (22%).
Os dados revelam que 39% do talento em Portugal pretende seguir um percurso de carreira tradicional e linear, ao passo que 27% afirma preferir uma “carreira de portfólio”, com mudanças de sector e funções (38% globalmente).
No recrutamento, 87% do talento é atraído pelo salário, mas 42% não aceitaria um novo emprego sem flexibilidade de local e 41% rejeitaria uma função sem flexibilidade de horário. Entre a Geração Z, 67% prefere traçar o seu próprio percurso em vez de seguir uma hierarquia definida. Adicionalmente, 50% dos profissionais já abandonaram um emprego por falta de independência concedida pelas chefias, embora 80% dos empregadores concordem que a autonomia aumenta o compromisso e a produtividade.
Os indicadores de colaboração mostram que 65% do talento em Portugal possui uma relação forte com o seu gestor direto e 73% confia nos seus colegas.
A produtividade é influenciada pela diversidade: 84% dos profissionais acreditam ser mais produtivos quando colaboram com diferentes perspectivas e 78% afirmam contar com pessoas de gerações distintas para alargar a sua visão.
Do lado das empresas, 100% dos empregadores inquiridos em Portugal destacam a diversidade geracional como uma alavanca de produtividade. Contudo, 90% dos empregadores referem que o trabalho remoto ou híbrido tornou a colaboração mais desafiante. Os dados indicam também que 70% dos profissionais procuram mais pontos de contacto com os seus empregadores devido à incerteza no mercado e 68% dizem estar mais dispostos a colaborar se os seus líderes o fizerem.
No domínio tecnológico, 89% das empresas em Portugal planeiam reforçar a utilização da IA nos próximos 12 meses, embora apenas metade (50%) dos profissionais acredite ter as competências necessárias para potenciar esta tecnologia.
Relativamente à produtividade, 60% do talento e 70% dos empregadores sentem que a IA ajuda a melhorar o desempenho, mas 44% do talento considera que a adopção da IA beneficiará principalmente as empresas e não os trabalhadores. Face a este cenário, 72% dos profissionais afirmam precisar de adaptar as suas competências atuais para manterem a relevância.
Os dados indicam ainda que 65% das empresas listam a agilidade como uma das três principais características procuradas em novas contratações, num momento em que a maioria dos trabalhadores receia que as funções de entrada possam desaparecer nos próximos cinco anos devido à automação.
O estudo, que inquiriu 26.000 profissionais em 35 mercados (incluindo Portugal), destaca um desalinhamento a nível de confiança: em Portugal, 100% dos empregadores estão confiantes no crescimento para o próximo ano, mas apenas 46% do talento partilha desta visão, um valor abaixo da média global de 51%.