
O fim do mundo do trabalho… como o conhecemos!
Por Ricardo Florêncio
O debate sobre o “fim do trabalho” não é novo. Mas desta vez há algo muito diferente. Não estamos apenas perante uma transformação gradual, tipo revolução industrial, mas perante o fim de um modelo que organizou a economia, o tempo e a sociedade, durante muitos anos, O trabalho não era apenas uma forma de rendimento, era um eixo em torno do qual construíamos muito da nossa vida, e em que, para além do rendimento, havia os temas do estatuto, de pertença, de sentido, de orgulho. E isso pode estar a perder-se aos poucos.
Os processos de automação, transformação digital e a inteligência artificial (nomeadamente a generativa), aceleraram um processo que vai modificar o mundo do trabalho como o conhecemos, pois estão a transformar as empresas de alto a baixo. O tipo de organização, os processos, as metodologias, quem faz o quê, quem reporta a quem, que tipo de pessoas são precisas, que perfis, que conhecimentos, que competências… A ligação entre o humano e a máquina – que gera e adquire conhecimentos – vai muito para além do que estávamos habituados. Chega-se ao ponto de se questionar: numa ordem hierárquica, quem vai mandar em quem?
Mas não se pense que é apenas a digitalização e a inteligência artificial que estão a ser os motores destas mudanças. O necessário e inevitável aumento da produtividade e a exigência de eficiência levam as empresas a terem de repensar os seus modelos de trabalho para continuarem a serem competitivas.
E agora, como vão encarar as pessoas, os colaboradores, todas estas mudanças? Vamos assistir a uma mudança de atitude perante o trabalho? Qual a prioridade que lhe vão, numa Era em que tempo, equilíbrio e saúde têm ganho mais espaço? E num mercado laboral altamente competitivo, em que estamos com escassez de mão-de-obra, a quase todos os níveis, será o propósito a ditar as regras e as preferências das pessoas?
Afinal, como ficamos? Num mundo em que, por um lado, se ouve, nos é quase prometido, que vamos trabalhar cada vez menos, que, com todos estes avanços tecnológicos, vamos ter melhor qualidade de vida, por outro, os níveis de pobreza nem por isso estão a diminuir à velocidade desejada e, por isso, há quem tenha mesmo de trabalhar… mais. Afinal, quem tem razão? O que podemos esperar? O que vai, mesmo, acabar?
Sabemos que as respostas não são evidentes, mas temos de olhar para as perguntas. E prepararmo-nos… para a mudança. Para mudar. É o que propomos para reflexão na 31.ª edição da Conferência Human Resources.
Editorial publicado na revista Human Resources nº 181, de Janeiro de 2026