Avaliar a cultura pelos colaboradores: coragem ou loucura?

Human Resources
11 de Fevereiro 2026 | 11:00

Por Inês Vasconcelos, directora de Recursos Humanos da LTPlabs

 

Quando uma empresa se submete a uma avaliação externa revela um acto de coragem. Mas, permitir que essa avaliação ultrapasse o papel, as políticas e os discursos institucionais, e fique nas mãos dos próprios colaboradores, pode parecer um passo imprudente (ou até uma verdadeira loucura). Contudo, para as empresas que “correm o risco” trata-se de uma consequência natural que reflecte uma cultura forte, próxima e exigente, que rege todas as decisões e acções do dia-a-dia.

Uma cultura que assenta no cuidado e respeito recíprocos. Onde colaboração, confiança e responsabilidade deixam de ser palavras bonitas e passam a ser necessidades estratégicas. O salário emocional ganha um papel de destaque e o compromisso torna-se genuíno, do tipo que não se impõe, mas se constrói.

Num mundo cada vez mais conectado (e também mais céptico e fabricado), os colaboradores estão mais atentos. Certificações credíveis e independentes, mais do que selos decorativos, funcionam como verdadeiros atalhos de confiança no complexo mundo laboral. E se colaboradores felizes atraem talento qualificado, a pergunta impõe-se: por que continuam algumas organizações a tratar a cultura como um tema acessório? Colaboradores felizes são mais produtivos, revelam maior envolvimento e contribuem, de forma mensurável, para melhores resultados do negócio, incluindo a redução de custos com recrutamento e rotatividade. Mas, o caminho até ao selo não se constrói com discursos bem ensaiados. Constrói-se com coerência, entre as palavras e as acções, com consistência, 365 dias por ano e com transparência nas decisões e na forma como nos relacionamos no dia-a-dia. Constrói-se quando todos contam, quando todos colaboram, quando todos são desafiados para serem melhores e cada um ensina, com humildade e sem hierarquias artificiais, em prol do crescimento colectivo.

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Lidar com pessoas é lidar com emoções e estas são o reflexo directo do que se vive na organização. Foi, por isso, com um grande sentimento de orgulho — e também de responsabilidade — que na LTPlabs vimos reconhecidos alguns dos pilares mais estruturantes da nossa cultura. O sentimento de comunidade (97%), que reflecte o nível profundo de camaradagem e o espírito de equipa; a justiça (96%), que avalia a percepção de comportamentos inclusivos, de equidade e de um tratamento justo por parte da liderança; e a intimidade (94%), que traduz a confiança entre colegas, a autenticidade e o apoio mútuo no dia-a-dia.

Mais do que um selo, ser reconhecida como um Great Place to Work é para nós apenas uma conquista ao longo de um caminho exigente, esse sim, motivo de orgulho e sinal de vitória.

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