Não há uma resposta física ligada à mentira. Algumas pessoas são mais nervosas do que outras. Ou têm um sentido de culpa exacerbado que as leva a comportar-se de formas que só parecem “culpadas” quando se sugere que fizeram algo de errado, mesmo quando não o fizeram.
Por isso os testes de polígrafo medem o stress fisiológico — frequência cardíaca, suor, respiração — mas não a falsidade, avança a CNBC Make it. «Aliás, a ansiedade, o medo e o nervosismo podem causar falsos positivos num teste de polígrafo», revela Rupal Patel.
Se os detectores não conseguem detectar mentiras, e “sinais” como inquietação ou contacto visual evasivo não revelam muito, como é que realmente se apanha um mentiroso?
Confie, mas verifique
«”Confiar, mas verificar” é um grande lema na CIA. Para construir um perfil completo da fiabilidade de alguém, recolhemos informações de diversas fontes e monitorizamos o seu comportamento e fiabilidade ao longo do tempo», aconselha.
Pode fazê-lo tanto no âmbito pessoal como profissional. Reúna informações de amigos, colegas e perfis de redes sociais e comece a construir um perfil.
Pare e avalie
Nem sempre há tempo para verificar a fiabilidade de alguém em múltiplas interacções.
«Por vezes, precisamos de tomar uma decisão rápida. Mesmo sem tempo, ainda pode recolher informações importantes no momento, fazendo a si mesmo estas perguntas:
- Qual é a pior coisa que me pode acontecer se essa pessoa estiver a mentir? Se tomar a decisão errada, estou disposto a pagar esse preço?
- Essa pessoa terá segundas intenções que a beneficiam, à minha custa?
- É um especialista qualificado ou tem experiência relevante sobre o tema?
- Posso verificar ou refutar objectivamente o que está a dizer?
- Está a criar uma falsa sensação de urgência?
Esta última pergunta pode ser reveladora. Pouca coisa, ou quase nada, precisa de ser decidida de imediato. Não deixe que a agenda de outra pessoa o obrigue a tomar uma decisão precipitada que não seja do seu interesse.»
Comece devagar
Quando não se consegue determinar se alguém é de confiança, uma estratégia subestimada é ir devagar. Obtenha mais informações experimentando um pouco do que essa pessoa tem para oferecer.
«Por exemplo, pode precisar de um novo fornecedor para a sua empresa. Se ele prometer o mundo, mas não for de confiança e não o conhecer, não feche um grande contrato. Experimente primeiro com um pedido pequeno e veja como as coisas funcionam. Já o fazemos o tempo todo sem nos apercebermos. Em interacções difíceis de interpretar, dar passos mais pequenos pode ajudar a proteger-se.»
Não tenha medo de dizer “não”
Se ainda não tiver a certeza se alguém está a mentir e não puder utilizar as três primeiras estratégias, o melhor a fazer é dizer “não” e seguir em frente. Na dúvida, não diga nada, sugere Rupal Patel.
«Ter um nível básico de confiança é óptimo, mas também não devemos acreditar em mitos sobre como interpretar os outros. Faça perguntas. Analise os dados objectivos. Construa uma imagem ao longo do tempo. E confie, mas verifique.»














