Directora de Tecnologia durante a presidência de Barack Obama defende que IA deve centrar-se mais nas oportunidades do que nos riscos

A especialista em tecnologia Beth Simone Noveck, directora de Tecnologia dos Estados Unidos durante a presidência de Barack Obama, falou à agência espanhola EFE, à margem de uma iniciativa realizada esta semana, na Universidade de Granada, em Espanha, dedicada ao impacto das tecnologias disruptivas numa sociedade globalizada e em rápida transformação.

Human Resources com Lusa
19 de Junho 2026 | 14:40
Directora de Tecnologia durante a presidência de Barack Obama defende que IA deve centrar-se mais nas oportunidades do que nos riscos

A fundadora da Iniciativa de Governo Aberto da Casa Branca considerou que é essencial compreender que fenómenos como a propaganda ou a desinformação antecedem a inteligência artificial (IA) e defendeu que o debate deve centrar-se mais nas oportunidades do que nos riscos trazidos pela IA.

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«É importante que todos compreendam que a IA não criou a desinformação nem a propaganda, que já existiam anteriormente, apenas agora estão ao alcance de toda a gente», afirmou.

A especialista defendeu ainda que as universidades públicas dispõem de uma “oportunidade única” para explorar o potencial social da tecnologia, numa perspetiva distinta da do setor privado.

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Segundo Noveck, enquanto as empresas estão orientadas para o lucro, as instituições académicas podem desenvolver aplicações focadas no interesse público e na resposta a necessidades sociais.

Como exemplo, apontou ferramentas de IA capazes de simplificar documentos técnicos ou administrativos, facilitando a compreensão de informação relacionada com apoios sociais e outros serviços públicos.

«A IA pode ajudar a compreender estes documentos numa linguagem mais simples, algo que o setor privado não vai fazer. Pelo menos, não de graça», afirmou a especialista.

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Noveck destacou igualmente o potencial da tecnologia para aproximar cidadãos e administrações públicas, referindo o caso de Hamburgo, na Alemanha, onde a IA é utilizada para recolher de forma “fácil e barata” as opiniões dos residentes.

Num contexto de rápida evolução tecnológica, a especialista defendeu uma abordagem assente numa dupla responsabilidade: a regulação das empresas que desenvolvem sistemas de IA e a responsabilização individual dos utilizadores.

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«As empresas devem ser reguladas, mas, se eu utilizar a IA da Microsoft para escrever propaganda, isso também é da minha responsabilidade», afirmou, defendendo o papel das universidades na promoção da literacia digital e da formação ética.

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Para Noveck, a reflexão ética sobre a IA não deve limitar-se à prevenção de riscos como a propaganda ou a desinformação, devendo também contribuir para definir os objectivos que a sociedade pretende alcançar com a tecnologia.

A especialista comparou ainda o actual debate em torno da IA às discussões que acompanharam o surgimento da Internet e destacou exemplos de países como a Finlândia e o Japão, que promovem desde cedo a educação sobre as oportunidades e os riscos associados à tecnologia.

A responsável valorizou ainda o facto de o Papa Leão XIV ter dedicado a primeira encíclica à IA, considerando relevante a defesa de uma abordagem que coloca a humanidade “em primeiro lugar”.

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Noveck salientou igualmente os alertas do pontífice para os riscos associados à concentração do controlo tecnológico em poucos intervenientes.

«Não se pode pensar apenas no lado negativo de uma tecnologia, porque isso pode fazer com que se perca a oportunidade de aproveitar o que há de bom», rematou.

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