O que o jazz nos ensina sobre liderança? A Rock in Rio Innovation Week explica-nos isto e muito mais, apostando no edutainment

A 3.ª edição do Rock in Rio Innovation Week @LACS foi apresentada ontem ao fim da tarde, desvendando-se aquelas que serão as áreas orientadoras das mais de 120 horas de conteúdos, que serão apresentados entre 23 e 26 de Junho:  “Autoconhecimento”, “Relações Humanas” e “Criação de Futuros Desejáveis”.

 

Durante quatro dias, o LACS e os espaços envolventes voltam a servir de palco para workshops, talks interactivas, sessões de networking e Q&A, espectáculos musicais, imersões artísticas e muito mais (incluindo as já famosas happy hours no Rooftop do LACS de Conde de Óbidos).

Depois de Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio (RIR), dar início à sessão, fazendo o enquadramento de como tudo começou e do que tem movido, e feito crescer, o Rock in Rio, destacando a importância da experiência e da aprendizagem, por um mundo melhor, foi Agatha Arêas, vice-presidente da Unidade de Learning Experience (LExU) do Rock in Rio que explicou o propósito da Innovation Week, da evolução que tem conhecido e o que podemos esperar da edição deste ano.

O foco da abordagem mantem-se no edutainment, ou seja, promover a educação e a aprendizagem, sem esquecer o entretenimento, combinando experiências imersivas e sensoriais, diversão, conteúdos e formatos surpreendentes, que criem uma experiência impactante. «A Innovation Week existe para inspirar, provocar reflexões, aplicar conceitos e estimular a partilha entre as pessoas. Mas sempre num ambiente descontraído, fun e criativo», sublinhou Agatha Arêas, esclarecendo que «a palavra ‘inovação’ no nome não diz respeito à tecnologia, serviços ou produtos», mas sim «à cultura e à forma de estar na vida, trazendo à superfície o potencial da inovação humana, acima de tudo».

A mentora do projecto acrescentou ainda que «o desafio desta terceira edição é sermos capazes de promover o mesmo nível de conexão – ou maior – entre os participantes que aquele que se fez sentir na edição de 2019». Interacção, junto com Experiência e Aprendizagem surgem como as palavras-chave da Rock in Rio Innovation Week, assumindo-se como objectivo desafiar e inspirar executivos, empreendedores, freelancers e universitários a reflectirem sobre as atitudes a ter e competências a desenvolver, não só para se tornarem melhores – a nível profissional e pessoal – mas para contribuírem, enquanto agentes de transformação, para um mundo melhor.

Assim, as três macro-áreas exploradas nesta edição serão “Auto-conhecimento”, “Relações Humanas” e “Criação de Futuros Desejáveis”, desdobrando-se depois nas mais de 120 horas de conteúdos, nos quais serão abordadas temáticas como inteligência emocional (que Agatha Arêas destacou ser uma competência que surge no top cinco para os recrutadores no Linkedin), mentalidade de crescimento (ou growth mindset), produtividade, foco e liderança pessoal e colectiva, «entre outras competências que apenas o ser humano pode ter, num mundo cada vez mais automatizado».

 

5 encontros a servir de warm-up

O evento de lançamento da terceira edição da Innovation Week serviu também como o primeiro de cinco MeetUps, mensais, que se vão realizar até Junho, lançando provocações, apresentando ferramentas e despertando novas formas de pensar. E as datas já estão marcadas: 18 de Fevereiro, 19 de Março, 16 de Abril (este no Porto) e 19 de Maio. Ontem, o tema do MeetUp foi “O que o jazz nos pode ensinar sobre liderança dinâmica?”, tendo sido conduzido por Mário Rosa, head of Business Development na Echos (Escola de Design Thinking)

Para responder à pergunta lançada, o orador convidado começou por fazer notar que «o design navega na complexidade», para «transformar condições existentes em condições preferíveis» (de acordo com a definição de Herbert Simon) e que tem por base três valores essenciais: empatia, colaboração e experimentação.

Reconhecendo que são modelos centralizados que existem nos organogramas das empresas e também na educação, Mário Rosa fez notar que é através da interacção entre as pessoas que a inovação acontece. «Mas não se trata só de colocar pessoas com conhecimentos diferentes juntas, é preciso criar uma linguagem comum e um ambiente de partilha e troca.»

Estabeleceu um paralelismo entre a importância de um método de liderança dinâmica com uma estrutura horizontal, e a confiança que os músicos precisam ter para estar em cima de um palco, materializando o tema numa jam session protagonizada por um trio de jazz. No fim, destacaram-se três “lições” de liderança:

– Empatia: cada um traz algo único, mas só quando estão juntos é que coisas extraordinárias acontecem. Os músicos chamam “big hears”, que significa ouvir os outros mais do que a si próprio.

– Abraçar a incerteza: os jazzistas experimentam, em tempo real, o tempo todo. Tem mente aberta e estão dispostos a abraçar o desconhecido.

– Seguir padrões convencionais: apesar do improviso, não se trata de se tocar o que se quer. Existem padrões, estruturas que servem de base ao improviso. Depois tem tiver maior competência emergirá naturalmente como líder, e os outros acompanham.

Depois de partilhar aquelas que considera serem as cinco dinânicas para o sucesso (de acordo com a Google) – segurança psicológica, confiança, estrutura e clareza, significado do trabalho e impacto do trabalho – Mário Rosa concluiu, defendendo que a pergunta que os líderes devem colocar não é “como faço a inovação acontecer», mas antes «como crio o contexto para que a inovação aconteça».

 

Porquê apoiar este projecto

Founding partners da Rock in Rio Innovation Week, a Galp reforçou a sua ligação a este projecto na 3.ª edição. Paulo Pisano, chief People officer da empresa, salientou que na Galp, há algum tempo que identificaram a capacidade de aprender como o maior activo que têm na organização e, principalmente no actual momento de muitas, e rápidas, mudanças, a capacidade de aprender é fundamental. E para isso «é preciso desconstruir anos e anos de vícios adquiridos no nosso sistema educacional e corporativo. É preciso reconectar as pessoas com a sua capacidade natural de curiosidade e criatividade».

Por seu lado, Rui Mendes da Costa, head of Learning and Training da Galp, destacou: «O desenvolvimento das nossas pessoas é um pilar fundamental na estratégia da Galp. Só crescemos, enquanto empresa, com o crescimento individual de cada um dos nossos colaboradores. Numa altura em que a indústria energética atravessa profundas transformações, esta perspectiva ganha importância acrescida: precisamos de novas ideias, de energia renovada, de fomentar a capacidade de ousar e de pensar diferente.» Partilhando que há quatro vectores fundamentais na Galp – Saber, Fazer, Partilhar e Ser –, defendeu ainda que há igualmente quatro ingredientes fundamentais para a aprendizagem: haver desafios, as pessoas darem o seu esforço, haver tolerância ao erro, e dar feedback.

Já a Randstad é estreante nesta edição, marcando presença em 2020 como Gold Sponsor. E Mariana Canto e Castro, Human Resources director e head of Legal Department começou por partilhar que, sendo a Randstad uma empresa tech and touch e human forward, e não querendo as pessoas, hoje em dia, formação, mas antes aprendizagem, este conceito da Innovation Week era «um sonho tornado realidade», mas a primeira tentativa não correu bem. «Como o erro faz parte da aprendizagem, não desistimos e não temos dúvidas de que vai ser uma edição fascinante, em que queremos partilhar mas, sobretudo, aprender.

Paula Lampreia, Learning Development and Culture manager da Randstad, acrescentou: «Queremos por as pessoas a pensar. Incentivá-las a para pensar. E a criar momentos para sentir. E depois agir. Não podemos estar fechados nas nossas conchas enquanto empresas. A Randstad aposta nas competências das pessoas para as transformar em profissionais de sucesso. Competências, inatas ou não, desenvolvem-se com aprendizagem, e quanto mais inovadora, inspiracional, disruptiva e imersiva esta for, maior a marca que deixa.»

Este ano, a EiMigrante repete a sua participação no Rock in Rio Innovation Week. A fundadora e CEO, Gilda Pereira, partilhou que criou a empresa para «ajudar a esbater fronteiras, a transformar mentalidades e, com isso, criar um mundo cada vez mais global», e por isso é que se juntaram a esta iniciativa.

Também a BLIP vai estar presente na terceira edição da Innovation Week. Ângelo Valente, senior Employer Brand manager, afirmou que a BLIP especialista na produção de software com sede no Porto, quer «descentralizar para o mundo, incluindo Lisboa», brincou. «Nós juntamos pessoas. A nossa missão é influenciar os outros a aplicar as nossas metodologias, porque funcionam. E como ‘great minds think alike’, juntamo-nos a este projecto. Nunca nos sentimos completos, daí estarmos à procura da nossa missing piece. E a proposta de valor da Innovation Week – Inovação, Experimentação e Conexão – é o reflexo perfeito de como uma parceria deve ser complementar.»

Outra novidade este ano é a presença da Sociedade Ponto Verde.

 

Porque a Innovation Week acredita que a aprendizagem é melhor em comunidade e quando há exposição a diferentes pontos de vista, todos os que adquirirem um bilhete para o evento até 18 de Fevereiro, vão receber um voucher para poder convidar um amigo. Mais informações aqui.

 

Texto: Ana Leonor Martins

 

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