Por Alexandra Barosa, directora Executiva do Curso de Coaching Executivo da Nova SBE e Founding partner da XPert4Co
“Qualquer dia não precisam de ti”, foi o que um coachee me disse, entre a brincadeira e a provocação, quando o convidei a perguntar a uma IA generativa dicas práticas para melhorar a sua capacidade de influência. “Já que tudo passa pela IA, não estás a matar o teu próprio negócio?”, respondeu-me.
A IA generativa está, de facto, a transformar a forma como os líderes trabalham – em segundos, sintetiza-se informação, analisam-se cenários e estruturam-se decisões. Nunca foi tão fácil obter respostas. Mas obter respostas não é o mesmo que desenvolver a qualidade da liderança.
O que está verdadeiramente em causa não é a substituição da inteligência humana pela IA generativa, mas sim o surgimento de uma nova realidade: a inteligência híbrida, que junta velocidade, síntese e simulação de um lado; com discernimento e sentido ético do outro. Este equilíbrio importa. Sem reflexão crítica, a IA generativa acentua riscos conhecidos: a preguiça metacognitiva, que delega não só tarefas mas também reflexão; e a AI sycophancy (‘bajulação artificial’) – a tendência para validar em excesso as perspectivas do utilizador, reduzindo ou evitando qualquer análise contraditória.
Ora, a liderança não se aprende pela acumulação de respostas. Aprende-se ao analisar situações ambíguas e ao decidir sob incerteza, questionando pressupostos pelo caminho. É por isso que a formação executiva, a mentoria e o coaching executivo continuam a ser tão relevantes (talvez mais relevantes do que nunca).
Na minha prática profissional, verifico que os maiores ganhos de aprendizagem não surgem quando um líder encontra uma resposta imediata, mas sim quando compreende melhor a forma como pensa, decide, influencia e lidera; quando confronta convicções, revê padrões e aprende a interpretar melhor a experiência. Voltando ao meu coachee: a resposta é não, a IA não está a matar o negócio de coaching. A IA generativa dá-nos as dicas. O meu papel começa exactamente onde essas dicas não se traduzem em acção, ao ajudá-lo a desbloquear o que o impede de as colocar em prática.
As organizações mais bem-sucedidas serão provavelmente aquelas que conseguirem combinar IA generativa com programas robustos de formação executiva, mentoring e coaching. O objectivo não é substituir o pensamento dos líderes – é torná-lo mais exigente, mais crítico e mais consciente.
Será também um desafio para educadores de adultos, mentores e coaches: ajudar líderes a combinar IA generativa com pensamento crítico, reflexão estratégica e questionamento de pressupostos.
A IA generativa pode acelerar respostas. Mas a vantagem competitiva continuará a pertencer às organizações que investirem simultaneamente em inteligência artificial e inteligência humana. Num contexto de inteligência híbrida, o diferencial não estará em aceder à melhor resposta, mas em interpretar, questionar e decidir o que realmente importa.














