Num país de doutores e engenheiros

Leonor Martins
22 de Maio 2019 | 12:47

Existe um preconceito relativamente ao ensino profissional. Mas não podemos continuar a ser um país só de doutores e engenheiros, carentes de profissões técnicas que continuarão a ser úteis no nosso dia-a-dia.

 

Por Miguel Mascarenhas, fundador da Fixando

 

Portugal está a evoluir a olhos vistos, em diversas áreas, e a educação e as profissões tentam ajustar-se ao futuro que todos os dias nasce. Não nos podemos esquecer, porém, que existe um sem número de profissões que continuam, e continuarão a ser, necessárias e cuja oferta de profissionais é cada vez mais diminuta. E é aqui que podem nascer oportunidades.

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O ensino regular continua a ter a maior taxa de adesão e Portugal tem cada vez mais alunos a terminar o ensino secundário. Os dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) comprovam que, apesar de mais de metade da população adulta portuguesa (25-64 anos) não ter completado a educação secundária, é notório um crescimento nas gerações mais novas (25-34 anos), de 40% em 2007 para 70% em 2017. No entanto, a média da OCDE é de 85%, pelo que muito trabalho precisa de ser feito.

Uma das soluções a nível europeu tem sido o investimento no desenvolvimento do ensino profissional e técnico profissional sendo que, em 2016, 44% dos alunos estavam inscritos neste regime. Mas, questões políticas de lado, a verdade é que ainda existe um preconceito relativamente ao ensino profissional. É visto como uma última opção e, para os alunos que o encaram como prioridade, o medo de serem rejeitados no futuro mercado de trabalho é tremendo.

O que importa considerar é que não podemos continuar a ser um país só de doutores e engenheiros, carentes de profissões técnicas que continuarão a ser úteis no nosso dia a dia. Não tem de ser menos prestigiante seguir profissões que, não tendo o estatuto de ‘superiores’, podem garantir um futuro profissional tão ou mais risonho que as restantes.

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Os novos profissionais, oriundos destas áreas, terão com certeza sucesso no mercado, não só pela carência de técnicos especialistas – a procura é, de facto, em muitos casos, superior à oferta -, mas também porque, nos dias de hoje, a prestação de serviços tem o mundo digital para auxiliar. É o caso das redes sociais, como o Facebook, os websites gratuitos ou mesmo plataformas como a Fixando, em que os profissionais se inscrevem e respondem a pedidos de diversos tipos de serviços. E todos os dias nos apercebemos da dificuldade em encontrar profissionais para responder aos pedidos dos clientes: categorias de profissionais que vão de estofadores, eletricistas, canalizadores ou até a profissionais de remodelações e obras têm muita procura, mas pouca oferta. As competências destes profissionais vão gradualmente valorizando e como tal os orçamentos e os custos destes serviços vão aumentando.

Às empresas, deverá caber a responsabilidade de conhecer o ensino profissional e as suas variantes, fazer uma aproximação estratégica e integrar estes alunos nas suas equipas.

 

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