A evolução e o futuro dos Melhores Lugares Para Trabalhar em Portugal

O mercado de trabalho e, particularmente, a força de trabalho estão a evoluir a uma velocidade sem precedentes, moldados pela tecnologia, pela inovação e pelas expectativas em constante mudança dos próprios colaboradores.

 

Por Sandra Coelho, Great Place to Work

 

É neste cenário que os Best Workplaces comemoram os seus 25 anos em Portugal. E, se muita coisa mudou, alterámos também, neste período, o processo de identificar estas organizações de referência no mercado. Concentrámos a jornada de reconhecimento na plataforma Emprising, que permite aos gestores de pessoas, de forma rápida, fácil e em tempo real, identificar os pontos fortes e distintivos e as oportunidades de melhoria da sua cultura e ambiente organizacional, possibilitando-lhes, deste modo, serem altamente eficazes na construção de um ambiente de trabalho de excelência. As empresas conseguem, assim, através de um único ponto de acesso, recolher o feedback dos seus colaboradores, quer através do questionário modelo da Great Place To Work, quer de um questionário personalizado. Além disso, na nossa plataforma, a empresa tem de preencher o Culture Brief e o Culture Audit (ferramentas de auditoria às práticas).

Mas a base de todo o nosso processo de reconhecimento não mudou! Ouvir os colaboradores foi, é e será sempre o primeiro passo! Para encontrarmos os Melhores Lugares Para Trabalhar de 2025, ouvimos mais de 80.000 colaboradores durante o ano de 2024, o valor mais alto de sempre. A taxa de resposta foi, em média, de 80% em todas as empresas participantes, subindo para 85% se considerarmos apenas os 50 Best Workplaces.

Esta edição é também marcada pela manutenção do índice de confiança (89%) face à edição passada, o valor mais elevado de sempre. Fica claro que estas organizações, caracterizadas por fortes relações de confiança (com a liderança e com os colegas), assumem uma posição de liderança e de referência no mercado.

Em 25 anos, assistimos a muitas mudanças e enfrentámos muitos desafios. Ninguém esquece a pandemia, a guerra na Europa e a implementação da inteligência artificial. E, se o mundo mudou, os ambientes de trabalho também. Face à primeira edição, é visível que os Best Workplaces são, actualmente, organizações mais fortes em todas as dimensões do ambiente de trabalho e com um índice de confiança mais elevado (+15pp). 25 Anos depois, os Melhores Lugares Para Trabalhar são ainda melhores!

 

Flexibilidade, propósito e bem-estar na nova era do trabalho
Esta evolução positiva evidencia a sua adaptação às “novas exigências” dos colaboradores e do mercado e o investimento na criação de um ambiente de trabalho positivo, estabelecendo novos padrões para o sucesso.

Agora, mais do que nunca, os colaboradores procuram organizações que ofereçam não só estabilidade e segurança, mas também propósito, desenvolvimento e reconhecimento. Deste modo, não é de estranhar que os dois principais factores de permanência (ou retenção) sejam a conciliação entre vida pessoal e profissional e as oportunidades de crescimento e desenvolvimento.

Salienta-se, ainda, que a ideia de carreira mudou. Os colaboradores não estão dispostos a progredir à custa de muitas horas de trabalho. O tempo de lazer, para a família e para si próprios, tornou-se fundamental. Os Best Workplaces têm hoje um processo de promoções mais justo e compreenderam esta mudança de paradigma, observando-se um aumento de +30pp na promoção da conciliação entre vida pessoal e profissional e de +25pp na liberdade para flexibilizar o horário de trabalho, comparativamente com a edição de 2000.

Quando tanto se fala em “regresso ao escritório”, todos os Best Workplaces têm implementado alguma forma de flexibilidade (horário ou local). O teletrabalho ou trabalho remoto é (ou melhor, continua a ser) um dos tópicos mais importantes dos comentários dos colaboradores. As regras, o acesso ou a forma de implementação são oportunidades de melhoria na esmagadora maioria das organizações, mas o retorno total ao escritório terá um impacto ainda mais negativo na cultura organizacional – isto, na voz dos colaboradores.

Ainda comparativamente com a edição de 2000, observa-se que os Best Workplaces têm uma cultura mais marcada pelas celebrações e pela preocupação e empatia uns com os outros. Embora se assista a uma melhoria na comunicação dos principais assuntos e alterações, esta é, em 2025, uma das afirmações com o índice mais baixo. Reforça-se, assim, o esforço que as empresas têm de continuar a fazer para comunicar eficazmente, alertando que o problema pode residir não no número de vezes, mas na forma como se comunica. Em ambientes com grupos cada vez mais diversos, é importante que a mensagem chegue a todos.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Março (nº. 171) da Human Resources, nas bancas, e conheça todas as empresas vencedoras.

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