A importância de saber o que o futuro nos reserva

«Com a evolução da tecnologia, da capacidade de armazenar dados e de novos modelos preditivos, a antecipação do futuro passa a estar acessível, com aplicações práticas, a todos os sectores. O sector dos recursos humanos não é excepção.»

Por Pedro Sousa, head of Business Development, Technologies & Shared Service Centers | Outsourcing, na Randstad Portugal, para a newsletter Tendências 360, powered by Randstad 

 

Desde sempre o ser humano viveu com uma grande curiosidade por conseguir desvendar o futuro, a vontade de antecipar e conseguir prevenir o que de bom, ou menos bom, pode estar para acontecer foi sempre visto como uma enorme vantagem. Desde cedo modelos preditivos começaram a ser aplicados aos negócios. Em 1689 eram já utilizados modelos que avaliavam o nível de risco das viagens marítimas com o objectivo de fixar os prémios de seguros. Mais tarde, com o aparecimento do computador e com este a capacidade de armazenamento de dados e análise de relações, começam a aparecer as mais variadas aplicações práticas, desde a previsão meteorológica à utilização para fins militares. Com a evolução da tecnologia, da capacidade de armazenar dados e de novos modelos preditivos, a antecipação do futuro passa a estar acessível, com aplicações práticas, a todos os sectores. O sector dos recursos humanos não é excepção.

Antecipar o recrutamento
Numa altura em que o mercado de trabalho está em guerra pelo melhor talento, a utilização de modelos preditivos no recrutamento é já uma realidade. Os métodos tradicionais rapidamente se tornaram obsoletos e pouco eficientes. Do ponto de vista da atração do talento, a publicação de um anúncio é cada vez menos eficaz, torna-se cada vez mais importante analisar e perceber as razões pelas quais os melhores se candidatam e o que os motiva. A combinação de processos de recrutamento com a informação de desempenho, rotatividade, ciclo de vida dos colaboradores e feedback recolhido, permite às organizações a construção de modelos que possam prever o desempenho futuro de um candidato. A análise de dados permite ainda perceber em cada momento quais as melhores estratégias de sourcing para cada função, pelo que a adopção de modelos preditivos permite focar a estratégia de sourcing nos canais mais adequados reduzindo esforço e aumentando a rapidez dos processos.

A antecipação no engagement e retenção
A análise preditiva permite ainda a monitorização e antecipação de quais os grupos de colaboradores mais propensos a abandonar a empresa. Com esta informação, torna-se possível desenhar métodos de retenção específicos e adaptados a cada grupo, trabalhando por antecipação a employee experience, aumentando o nível de engagement com a organização e melhorando indicadores como absentismo e turnover.

Os modelos preditivos vieram para ficar marcando presença na estratégia das organizações. A capacidade de antecipar permite que a tomada de decisão seja simplificada e baseada em modelos que, cada vez mais, apresentam provas da sua eficiência. A qualidade dos dados acaba, no entanto, por assumir uma importância cada vez mais relevante, o histórico de informação deve ser amplo e de grande qualidade, devendo estar corretos e devidamente estruturados. Na maioria dos casos, os problemas de qualidade de dados explicam a falta de confiança nos resultados dos modelos,o que pode resultar no desperdício de recursos ou até mesmo em decisões menos adequadas. Por este motivo, toda a organização assume uma papel relevante na adopção das novas soluções, na correcta utilização dos sistemas e no registo da informação de uma forma correcta e adequada. Só com todas as equipas alinhadas nesta estratégia a antecipação poderá representar um factor diferenciador na estratégia de Recursos Humanos das organizações, sem dúvida o elemento de competitividade mais relevante para o sucesso das empresas.

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