
A transparência como pilar da comunicação interna
Numa organização, comunicar é muito mais do que trocar informação: é construir confiança. E a confiança, uma vez conquistada, torna-se a base de qualquer cultura empresarial sólida e sustentável.
Por Sofia Croft, head of People no ComparaJá
Ao longo dos últimos anos, temos assistido a mudanças profundas na forma como trabalhamos, colaboramos e até na forma como nos relacionamos dentro das equipas. Nesse contexto, a comunicação interna deixou de ser apenas uma ferramenta de partilha de novidades; tornou-se uma verdadeira estratégia de alinhamento, motivação e credibilidade.
Manter a transparência em relação aos vários temas da empresa é, sem dúvida, um desafio. Muitas vezes surgem perguntas difíceis: como partilhar más notícias sem abalar o espírito de equipa? Até que ponto devemos abrir a informação estratégica? A resposta, para mim, é clara: a transparência não significa dizer tudo, mas sim dizer o que importa com clareza, consistência e honestidade.
Lembro-me de uma ocasião em que tivemos de anunciar uma mudança estrutural. Ao explicar não só a decisão, mas também as razões que a sustentavam e as suas consequências, a equipa compreendeu melhor o contexto e sentiu-se valorizada. O resultado foi envolvimento, e não desconfiança.
Quando as pessoas têm acesso à informação necessária, mesmo que não seja sempre positiva, reforça-se o sentimento de pertença. Percebem que são tratadas como parte integrante da organização e não apenas como peças de um mecanismo. Essa postura traduz-se em maior motivação, menos rumores e, sobretudo, numa cultura de abertura onde todos se sentem à vontade para partilhar ideias e preocupações.
Enquanto diretora de recursos humanos, acredito que a comunicação interna é uma responsabilidade partilhada: começa na liderança, mas ganha vida no dia a dia, nas equipas, nas reuniões, nos canais digitais e nas conversas informais. É através dessa rede de interações que se constrói uma empresa coesa e resiliente.
A transparência, quando praticada de forma consistente, é o maior investimento que podemos fazer nas nossas pessoas. É ela que transforma informação em confiança, e confiança em compromisso. No final, deixo a pergunta: que cultura queremos construir, uma onde se esconde, ou uma onde se partilha para crescer juntos?