
A visão estratégica da comunicação interna nas organizações
Por Nuno Goulart Brandão, professor associado da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, membro fundador representante da FCH-UCP no OCI – Observatório de Comunicação Interna e Identidade Corporativa em Portugal
A comunicação interna tem de ser assumida nas organizações através de uma visão estratégica que potencie a gestão de relacionamentos bidireccionais, o envolvimento, a valorização e os existentes diferentes interesses mútuos das suas pessoas. E que visem o estabelecimento e o desenvolvimento de organizações mais humanas que potenciem o trabalho com significado, as boas práticas, a flexibilidade, a autonomia, os valores, o propósito, a transparência, a geração de confiança, a coesão interna e a cultura de cada organização.
A concepção estratégica da comunicação interna nas organizações está muito ligada ao reforço da sua virtuosidade e na sua estreita ligação relacional com a gestão do seu potencial humano. E também no reforço permanente de condutas diárias assentes em rigorosos critérios éticos e morais que, actualmente, são determinantes para o progresso e qualidade de vida de todos os seus colaboradores, proporcionando organizações mais humanas e socialmente responsáveis que visem propósitos comuns.
Deve, deste modo, estimular e envolver as suas pessoas ao projecto empresarial que representam. Mas, para isso acontecer de modo expressivo, é também necessário que as pessoas sintam que, a par dos objectivos de cada um a atingir no seio organizacional, existem também um efectivo estímulo ao crescimento pessoal de cada um através da procura de atendimento das suas diferentes necessidades e expectativas. E isto no seguimento de se conseguir continuamente procurar e conjugar os resultados à motivação, criatividade e valorização da cultura e comportamentos humanos gerados de todos os seus colaboradores.
Falar de comunicação interna estratégica é então saber atender na geração de uma cultura organizacional que estimule os significados partilhados, bem como valorizar e potenciar os níveis de envolvimento de todos os seus colaboradores. Mais precisamente que se orgulhem do Ser organizacional que representam e não apenas o do Parecer, com um efectivo e agregador sentimento de identificação de fazer parte dessa realidade empresarial.
Em síntese, a visão estratégica da comunicação interna nas organizações implica que se estimulem e sustentem conteúdos e iniciativas que visem a construção e desenvolvimento de uma cultura participativa, trabalho em equipa, bem como as ideias dos seus colaboradores. Ou seja, assumida como inspiradora para a construção, compreensão e desenvolvimento de significados junto das suas pessoas e que se suportem no estabelecimento de relações transparentes e geradoras de confiança que permitam que os seus colaboradores se possam expressar face à vida e opções da empresa, numa permanente partilha e aprendizagem contínua, alicerçada no seu propósito e com uma efectiva capacidade de gerar uma maior humanização interna.