Accenture: Cumprir a promessa da tecnologia e da criatividade humana

A comunicação com o ecossistema de talento ganha cada vez mais importância na Accenture quando se trata de atrair e reter colaboradores.

 

Com a evolução do mercado de talento e as alterações na forma de trabalhar trazidas pela pandemia, o Employer Branding assumiu um novo papel na organização. Não apenas virado para fora, mas também para dentro da empresa, tem como objectivo manter o engagement, apesar dos novos modelos de trabalho. Em entrevista à Human Resources Portugal, Mónica Rosendo, directora de Recursos Humanos e Rui Sales Rodrigues, director de Marketing e Comunicação da Accenture Portugal, explicam como se fez este caminho e quais as novas apostas da marca na atracção e retenção de talento, agora que o (quase) fim das restrições revela uma normalidade diferente da que conhecíamos, com novos desafios.

 

O que é que mudou, nestes últimos dois anos, na abordagem da Accenture ao Employer Branding?
Rui Sales Rodrigues (RSR): Durante a pandemia, a Accenture lançou o seu maior reposicionamento de marca da última década. Esta campanha global apresentou uma nova estratégia e propósito para a empresa, concebido para inspirar as organizações a abraçarem a mudança, de modo a criarem valor 360º. Numa perspectiva mais prática, esta alteração pressupôs uma mudança na apresentação dos nossos serviços, os quais começaram a ser comunicados como parte de um todo e com a mesma identidade gráfica. Por sua vez, e se a forma como somos introduzidos ao mercado de talento estava já fortemente alicerçada nos nossos pilares estratégicos, na nossa cultura de Inclusão e Diversidade e nas áreas de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa, onde temos sido reconhecidos e distinguidos em diversos prémios, essa aposta tornou-se ainda mais evidente para fazer face a uma nova realidade de mercado de talento com escala global. Hoje, o trabalho remoto permite-nos trabalhar para qualquer parte do mundo, o que abre um leque de oportunidades imensurável e que desafia as estratégias de retenção do nosso talento.

 

Qual foi o impacto da pandemia tanto nas expectativas dos candidatos como no Employer Branding da Accenture?
Mónica Rosendo (MR): Os vários desafios inerentes ao período de pandemia tiveram impacto na empresa e nos seus colaboradores, o que nos fez focar ainda mais na flexibilidade laboral e na conciliação com a vida pessoal – factores essenciais na melhoria da satisfação e no compromisso, tanto dos profissionais como dos candidatos.

Hoje consideramos o trabalho remoto como uma expectativa da maioria dos candidatos e encaramos essa realidade com naturalidade. Porém, acreditamos que não existe uma fórmula de “one size fits all”. Tornou-se necessário ir além do conceito “espaços e lugares” – que dita onde as pessoas trabalham e quantos dias estão no local – porque, a nosso ver, a oportunidade passa pela criação de experiências reimaginadas.

Esta conciliação entre o físico e o digital, presencial e remoto, mostrou-se também obrigatória na abordagem ao employer branding.

 

Qual a proposta de valor da Accenture enquanto entidade empregadora e de que forma esta proposta é comunicada aos potenciais colaboradores?
RSR: A Accenture assume como propósito cumprir a promessa da tecnologia e da criatividade humana. Este lema é incluído em todas as acções que desenvolvemos, quer numa perspectiva de atracção e retenção de talento, quer numa óptica de negócio. Como tal, as nossas campanhas de Employer Branding espelham, por um lado, a necessidade de encontrar o talento, a criatividade de futuros profissionais e o seu compromisso em relação ao uso adequado da tecnologia para oferecer valor a todos os nossos públicos. Por outro, espelham a experiência e todo o potencial de crescimento profissional permitido por uma empresa como a Accenture. A título de exemplo, se numa primeira fase os eventos tiveram forçosamente de passar para o digital, hoje estamos próximos dos candidatos em vários canais e até fazemos o seu onboarding através do metaverso, o que transmite, desde logo, uma abordagem inovadora ao mercado de talento.

 

Qual a estratégia adoptada e objectivos do Employer Branding na Accenture?
RSR: Desde logo, a Accenture utiliza o termo “Talent Brand” como forma de traduzir uma maior abrangência na nossa estratégia de Employer Branding. Queremos fortalecer cada vez mais a nossa marca em Portugal para que possa impactar e acompanhar todo o ciclo de vida dos nossos colaboradores dentro da empresa. A nossa proposta de valor é comunicada desde o momento de recrutamento e selecção e estende- se até ao fim da colaboração de cada profissional com a Accenture, passando esse elemento a fazer parte da nossa rede de Alumni. A comunidade de mais de seis mil ex-colaboradores, que actualmente desenvolvem a sua carreira fora da empresa e com vários cargos de destaque em diferentes organizações, é sinal da capacidade da Accenture enquanto empresa escola relevante para inúmeros sectores de actividade. É também uma fonte através da qual recrutamos muitos profissionais que regressam à Accenture, todos os anos.

A nossa estratégia de Marketing foca-se em envolver, atrair e reter o talento, através da partilha dos nossos valores e da nossa cultura, aliando-os sempre às prioridades de negócio. Com o objectivo de fortalecer e melhorar a nossa estratégia, realizámos recentemente um estudo de percepção da marca no mercado de talento, o qual revelou que a nossa aposta na comunicação através das pessoas é uma aposta ganha.

 

Quais os temas considerados prioritários?
MR: Há um forte investimento por parte da empresa nos temas de Sustentabilidade, de Ambiente e de Inclusão e Diversidade, que é muito valorizado por todos, em especial pelas gerações mais jovens. Temos vindo a apostar muito na área de inclusão nos últimos anos e, nesse sentido, elaborámos um Plano de Igualdade. Este plano dá uma maior visibilidade interna ao esforço e compromisso da Accenture para com a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, tanto no modelo de progressão de carreira, como na política salarial, tendo sempre por base a meritocracia e o talento individual. Distinguimo-nos pela nossa cultura de excelência e práticas de trabalho assentes em princípios éticos e de responsabilidade social e corporativa. O nosso esforço é reconhecido e valorizado com distinções ao nível da Inclusão e Diversidade e de Employer Branding em 2022.

 

Como se articula dentro da Accenture as áreas de recursos humanos e marketing com o objectivo de comunicar a marca enquanto empregadora?
RSR: Desde sempre que acreditamos que estes dois departamentos ganham muito mais se trabalharem em estreita colaboração. Os Recursos Humanos tendem a focar-se no acompanhamento de todas as dimensões e etapas de desenvolvimento dos nossos profissionais, enquanto que o Marketing procura continuamente fortalecer a notoriedade e reputação da marca.

 

Que programas a Accenture desenvolve junto dos estudantes para conseguir atrair novos talentos?
RSR: Há alguns anos, criámos o programa Accenture Student Ambassador. Esta iniciativa é dirigida aos estudantes das principais academias nacionais e tem como objectivo reforçar a atractividade da marca Accenture junto dos candidatos-alvo. Os nossos embaixadores do 3.º, 4.º e 5.º ano dos seus cursos têm o importante desafio de ajudar a Accenture a estar mais perto do talento jovem que poderá ser no futuro um target para o nosso recrutamento. Este projecto materializa-se através do acesso privilegiado a formações sobre várias áreas, processos de onboarding ou até mesmo eventos. A título de exemplo, os nossos embaixadores foram convidados a estar connosco na última edição do WebSummit, com acesso a inúmeras conferências sobre diversos temas. Este género de iniciativas, combinadas com a presença em eventos como feiras de emprego nas universidades, ou o nosso recente apoio à Formula Student Lisboa, reforçam o nosso posicionamento enquanto empregador de excelência e player de referência na mente da próxima geração de talentos. Outra das acções que temos vindo a desenvolver é a Talent Van Road Trip, uma iniciativa em que visitamos universidades com uma carrinha especialmente decorada para o efeito, e na qual partilhamos com os estudantes o que fazemos e os nossos valores de uma forma muito descontraída.

 

Qual a receptividade deste programa junto dos estudantes?
MR: Quer da parte dos estudantes, quer dos próprios colaboradores da Accenture que com eles interagem, a receptividade tem sido enorme. Os Accenture Student Ambassadors têm a oportunidade única de conhecer, por dentro, uma organização com mais de 710 mil colaboradores e de participar em eventos e iniciativas, o que lhes permite experienciar um pouco a nossa cultura organizacional. Os nossos embaixadores têm ao seu dispor uma série de vantagens exclusivas como a participação e acesso a iniciativas e eventos feitos para eles, o enriquecimento do seu currículo, tanto em soft skills como em hard skills, e um programa de mentoria que lhes permite estar em contacto com pessoas com experiência dentro da nossa organização.

O feedback por parte dos estudantes tem sido muito positivo, sentem que esta é uma iniciativa excelente que lhes permite estar mais próximos do mercado de trabalho e também ganhar uma nova rede de contactos e percepção das empresas ideais para trabalhar.

 

Que outros programas tem a Accenture na área da atracção e retenção de talento?
MR: Uma grande aposta da Accenture são as Academias de Onboarding para pre-joiners, em que é dada a oportunidade a recém-licenciados ou mestres de potenciar e trabalhar com as tecnologias mais inovadoras, contribuindo para a transformação de clientes da empresa nas diferentes indústrias ou áreas de negócio. Estes recém-licenciados ou mestres têm, também, a oportunidade de colaborar com equipas a nível global, contribuindo para o seu desenvolvimento enquanto profissionais e para a progressão na sua carreira.

 

Qual a percepção de resultados destes programas junto dos públicos externo e interno?
RSR: A percepção tem sido bastante positiva. A título de exemplo, 95% dos pre-joiners das Academias de Onboarding Technology são integrados na Accenture, o que desde logo representa o sucesso destas iniciativas na captação de talento jovem. Estes programas permitem um contacto mais próximo com a Academia, o que se torna importante não só pela partilha de oportunidades, mas também pela comunicação dos valores da marca – algo que se tem vindo a mostrar cada vez mais relevante para a identificação dos jovens com futuros empregadores. Queremos continuar a desenvolver e a comunicar iniciativas e programas, idealizados para promover o propósito da empresa em cada um dos candidatos e colaboradores, para que todos se sintam motivados e comprometidos.

 

Qual a estratégia da Accenture no que respeita ao desenvolvimento individual dos colaboradores e como é este ponto comunicado em termos de Employer Branding?
MR: Para cada colaborador é concebido um plano individual de formação que considera, além da área de negócio, a função que a pessoa desempenha, as competências, o nível de especialização e a categoria profissional. Além desta formação prioritária, o colaborador é incentivado a potenciar o seu crescimento na empresa com formação complementar que lhe permita consolidar conhecimento e experiência, contribuindo para a evolução da sua carreira. Temos uma ferramenta “Specialization at Scale” que através de um algoritmo determina o nível de especialização dos profissionais e, com base nesta informação, oferecemos aos colaboradores percursos de formação personalizados. Por último, os nossos HR Engagement Lab permitem-nos, através da utilização de ferramentas analítico-preditivas, compreender os factores-chave de permanência dos profissionais na empresa, com a finalidade de reforçar a sua satisfação e a retenção do talento.

 

De que forma fomentam o sentimento de pertença entre os vossos colaboradores?
MR: A cultura de diversidade e inclusão da Accenture é um dos pilares que sustentam o sentimento de pertença de todos os nossos colaboradores, tanto no sentido de evolução profissional e perspectiva de carreira, como em termos humanos e de bem-estar pessoal num ambiente em que impera o respeito pela diferença – um dos nossos principais activos em termos de I&D. Neste âmbito damos um grande foco à igualdade e paridade, questões LGBTIA+ ou até a inclusão de pessoas com incapacidade. Todos têm um lugar onde a sua individualidade é respeitada e até desejada numa óptica de crescimento da própria empresa, havendo dentro da equipa de liderança um elemento que é responsável por encabeçar e promover cada um destes pilares, tanto interna como externamente. Tentamos que todos estejam onboard na nossa missão de entregar valor acrescentado aos nossos clientes, o que nem sempre é um desafio simples. A pertença é também promovida através de momentos de partilha, com iniciativas como os Cafés Virtuais com o presidente, a Quinzena do Bem-Estar, entre muitas outras. A tendência é que voltemos a eventos presenciais ou híbridos, mas em tempos de pandemia, e com mais de 95% dos colaboradores em regime de trabalho remoto, a área de People Engagement teve um papel importante na promoção do engagement e sentimento de pertença na empresa. O mercado de talento está cada vez mais competitivo e os candidatos querem, acima de tudo, representar organizações que estejam alinhadas com os seus objectivos, valores pessoais e ambições, pelo que é cada vez mais fundamental traçá-los e comunicá-los. O desafio contínuo é encontrar novas formas de atrair os melhores, sendo que a área de Talent Brand tem um papel muito relevante neste processo.

 

De que forma é a experiência de trabalhar na Accenture verdadeiramente única?
MR: No que toca ao talento, ambicionamos oferecer experiências diferenciadoras que vão além de benefícios e remuneração, mantendo sempre um ambiente organizacional que contribui para o crescimento profissional e bem-estar dos colaboradores. Por outro lado, acreditamos que uma cultura de igualdade é essencial para criar um sentimento de pertença e garantir que todos os colaboradores conseguem prosperar e encontrar a felicidade no local de trabalho. Assim, procuramos que as nossas equipas sejam diversas em todos os sentidos.

Uma das bases mais sólidas que nos permite ser distintivos no mercado de talento é a forma como colocamos o foco nas nossas pessoas. Para nós, as pessoas são vitais no desenvolvimento da estratégia de negócio e são elas, sem dúvida, através da sua capacidade de gerar valor, da diversidade que nos trazem, da forma como colaboram em equipa, que nos permitem crescer. A Accenture é considerada uma “empresa-escola”, onde o centro das nossas políticas de recursos humanos assenta nos aspectos relacionados com a formação, desenvolvimento profissional e meritocracia. Tudo isto, mantendo-nos sempre fiéis aos nossos valores e cultura que são diferenciadores e nos permitem, desde sempre, desenvolver grandes projectos de transformação com os nossos clientes.

 

Este artigo faz parte do Especial “Employer Branding” publicado na edição de Julho (n.º 139) da Human Resources.

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