AESE Business School: Desenvolver gestores com visão estratégica

O Programa de Direcção de Empresas aposta numa abordagem prática que alia o Método do Caso à partilha de experiências entre gestores.

 

O Programa de Direcção de Empresas (PDE) é uma formação da AESE Business School que pretende promover uma transformação pessoal e profissional dos dirigentes, através de uma abordagem prática, assente no Método do Caso e na partilha de experiências entre participantes. Em entrevista à Human Resources, Adolfo González e Miguel Guerreiro, directores do Programa de Direcção de Empresas do Campus AESE Business School do Porto e Lisboa, respectivamente, explicam como o programa ajuda a reforçar competências de liderança, planeamento e visão estratégica.

 

O PDE propõe-se a promover uma transformação pessoal e profissional dos dirigentes. De que forma?
Adolfo González (AG): No PDE (e nos restantes Programas de Formação de Executivos da Escola), não se ensinam técnicas, ensina-se a dirigir, e quando se dirige transforma-se.

Essa transformação consiste numa mudança em aspectos tão diversos como uma maior preocupação com a motivação e o crescimento das pessoas na organização ou na sua equipa, uma forma mais integrada de olhar para os problemas no dia-a-dia (procurando perceber o impacto de uma decisão nas várias áreas da organização), uma maior predisposição para procurar “ver mais longe”, cultivando o pensamento estratégico.

Para isso contribuem vários aspectos: o método de aprendizagem (o Método do Caso), a experiência profissional rica e variada dos professores da Escola, o desenho do Programa, que contempla as várias áreas da organização (acentuando os temas relacionados com o Comportamento Humano na Organização, nomeadamente a motivação, a liderança e a comunicação), a imersão de três dias em Madrid, e também outros aspectos que não aparecem escritos, a exemplo do almoço semanal do grupo de participantes, as PDE Talks e as visitas a empresas.

Miguel Guerreiro (MG): O PDE é uma jornada transformadora que desafia os participantes a sair da rotina e a reflectir sobre prioridades, valores e estilos de liderança. Trabalhamos competências técnicas, mas sobretudo a dimensão pessoal, base para mudanças mais profundas. Através do Método do Caso, do debate e da reflexão individual, os dirigentes confrontam- se com dilemas concretos, repensam a forma como decidem e desenvolvem um mindset mais consciente e humanista, aplicável de imediato na vida profissional e pessoal.

 

Uma das componentes é a reflexão sobre o estilo de gestão. O que é que os gestores nacionais precisam de reforçar?
AG: Planear, planear, planear! Percebe-se que em muitas organizações falta planeamento e depois surgem as ineficiências e as ineficácias associadas às situações de última hora, o “largar tudo” para resolver a situação para “amanhã” e a confusão entre acção e resultados.

Aprender a delegar e a utilizar um estilo de liderança mais participativo, que promova a autonomia dos colaboradores e os ajude a desenvolver-se enquanto pessoas e profissionais, é com frequência outra oportunidade de crescimento.

Por último, falando de situações concretas e mais ou menos transversais, com margem simpática de progressão, diria aprender a gerir o tempo, a priorizar as tarefas e a cumprir com um plano.

MG: Temos gestores muito competentes, mas a pressão do curto prazo limita a visão estratégica. Consideramos essencial reforçar a capacidade de pensar a longo prazo, envolver equipas nos processos de decisão e investir no desenvolvimento das pessoas, criando ambientes de confiança. No PDE, cada dirigente analisa o seu estilo, identifica forças e fragilidades e trabalha sobre elas num ambiente exigente e de partilha, que fortalece a sua liderança.

 

Todas as sessões são, sobretudo, de debate?
AG: São, de facto, e é em parte por isso que realizar um PDE é uma experiência francamente transformadora com impacto nos vários âmbitos da vida, da pessoal à profissional. Com o debate surge a partilha de experiências e vivências que tanto enriquecem a discussão dos case study que utilizamos no PDE, e ajudam os participantes a tornar-se melhores decisores nas suas organizações. Os professores da AESE moderam e provocam a discussão e trazem para a mesma a sua experiência prática nos temas dessa sessão. Essa experiência provém dos trabalhos realizados como executivos de topo, empreendedores, ou consultores de topo, ao longo de vários anos em múltiplas organizações de diversos sectores de actividade.

 

MG: Sim, mas debate estruturado. Cada sessão parte de um caso real, previamente estudado, e o professor conduz com perguntas que abrem novas perspectivas. O grande valor está na diversidade: executivos de sectores distintos partilham experiências que enriquecem a análise. Não é transmissão de conteúdos, mas construção colectiva de conhecimento, que desenvolve competências críticas como escuta activa, argumentação fundamentada e capacidade de decidir.

 

A componente prática do programa é também visível quando colocam os participantes em face de conflitos empresariais verídicos, em circunstâncias semelhantes às do seu dia-a-dia nas organizações. Como é que preparam esta vertente?
AG: O “segredo” é o método que utilizamos. Através do Método do Caso, desenvolvido na Harvard Business School há mais de 100 anos, os participantes têm discussões estruturadas sobre situações verídicas, muitas já vividas na primeira pessoa. Esse debate é realizado primeiro em pequenos grupos muito heterogéneos (em que os participantes provêm de organizações diferentes, têm uma formação de base distinta, um percurso profissional diferente do dos colegas), e depois com todo o grupo de participantes, liderado pelo professor.

 

MG: O Método do Caso tem três momentos. No estudo individual, cada participante analisa dados, avalia alternativas e forma a sua decisão. Nos grupos de trabalho, confronta-a com colegas, clarifica premissas e testa raciocínios. Só depois avança para a plenária, onde a diversidade de perspectivas é posta à prova e o professor aprofunda conceitos. O objectivo não é a resposta certa, mas treinar o julgamento em contextos complexos, tornando a aprendizagem prática e aplicável.

 

O programa académico do PDE é complementado com sessões no IESE Madrid. Qual é a vantagem de estar associado a esta instituição líder internacional?
AG: Fazer parte da maior rede de Escolas de Negócios do mundo, aquela que o IESE criou, é uma oportunidade valiosa em vários sentidos. Por um lado, podemos proporcionar aos participantes do PDE uma imersão de três dias completos no IESE em Madrid, em que os participantes nas edições do Porto e de Lisboa trabalham em grupos mistos, com um efeito de networking assinalável.

Por outro lado, os nossos professores ensinam em Programas Executivos em outras Escolas de Negócios da rede que são “irmãs” da AESE (que também utilizam o Método do Caso e têm a mesma matriz de valores), e assim contactam com outras realidades com as quais se enriquecem profissionalmente, vertendo essas novas experiências nas sessões do PDE. Há outros aspectos a referir, como a presença de Professores do IESE nos nossos Programas de Formação de Executivos.

 

MG: O IESE é uma referência mundial e a parceria de décadas com a AESE enriquece o PDE com uma perspectiva internacional. Em Madrid, os participantes têm contacto com professores e casos que reflectem realidades diversas, ampliando horizontes. É também um momento-chave de networking, pois junta as edições de Lisboa e do Porto em trabalho e convívio, reforçando a comunidade PDE. Esta experiência inspira novas formas de pensar e prepara para liderar em mercados cada vez mais interligados.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Academias de Formação” que foi publicado na edição de Setembro (nº. 177) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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