Ana Rita Lopes (Grupo Nabeiro) «Temos de acelerar a criação de organizações mais ágeis»

Ana Rita Lopes, directora de Recursos Humanos do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, defende que «é muito importante desenvolver uma análise holística de toda a envolvente para que a transformação para uma cultura digital seja bem-sucedida». Leia o seu testemunho.

 

«Este novo enquadramento veio trazer novos desafios para as organizações, e muitos passam pelas pessoas. Na forma como as gerimos, como nos organizamos, como nos relacionamos, como comunicamos, como as motivamos e envolvemos, na forma como recrutamos, na forma como as atraímos e retemos. Mesmo aquelas empresas que até agora tinham processos e políticas de Recursos Humanos claramente definidas e bem-sucedidas foram obrigadas a repensar nas suas estratégias.

Se, no passado, a visão dos RH já deveria ser 100% holística, agora é mandatório que assim seja. Hoje, temos algumas certezas: a cultura digital nas empresas veio para ficar e, com isso, temas como o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a saúde mental dos colaboradores, a cultura organizacional e o engagement passaram a ocupar a agenda dos gestores de topo das organizações.

É um dado adquirido que temos de acelerar a criação de organizações mais ágeis, com processos mais digitais. Conceitos como o teletrabalho passaram a estar na ordem do dia. Contudo, de uma forma imposta pelo momento pandémico vivido a nível mundial e, muitas vezes, sem que isso estivesse integrado numa cultura ajustada e capaz de suportar essa forma de trabalho.

É por isso muito importante desenvolver uma análise holística de toda a envolvente para que a transformação para uma cultura digital seja bem-sucedida. E só com ajuda dos profissionais de Recursos Humanos isso será possível, havendo alguns pontos fundamentais que não podem ser descurados. Nomeadamente:

Cultura
A mudança para uma cultura digital nunca pode ignorar a cultura da empresa. Há que ter em atenção que precisamos de manter os colaboradores envolvidos e comprometidos com a organização. Há que criar formas e momentos de contacto para que os valores possam manter-se vivos entre todos os colaboradores.

 

Equilíbrio entre a vida profissional e pessoal
Uma cultura digital implica muitas vezes recurso a teletrabalho. Há que conhecer a história de vida de cada colaborador e perceber até que ponto estão preparados para desenvolver a sua actividade profissional no ambiente familiar.

 

Formação
Por tudo isto, cabe também aos profissionais de Recursos Humanos analisarem estes elementos e proporem aos gestores formas de organização de trabalho que podem passar por modelos de trabalho presenciais ou híbridos (teletrabalho e presencial), consoante a análise feita aos colaboradores em questão e respectivas necessidades.»

 

Este artigo faz parte do tema de capa da edição de Outubro (n.º 118) da Human Resources. 

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