Ana Teresa Porfírio, Recordati SpA: Reformar os modelos de liderança é uma urgência estrutural

No seu comentário à LX edição do Barómetro Human Resources, Ana Teresa Porfírio, HRBP director, Global SPC na Recordati SpA, faz notar que «reformar os modelos de liderança não é uma opção estética, é uma urgência estrutural. O futuro da liderança exige organizações que desenvolvam talento com intenção, propósito e visão, e que criem contextos onde liderar seja visto como um acto de crescimento e não de sacrifício».

 

«Os resultados no Barómetro Human Resources no que a liderança e sucessão dizem respeito reflectem uma tensão estrutural entre os modelos de liderança existentes e as aspirações e os valores das novas gerações. Embora 39% dos jovens expressem interesse em liderar, há um claro decréscimo face a gerações anteriores, explicado sobretudo pela percepção de que a liderança implica sacrificar equilíbrio, bem-estar e autenticidade. Não creio que as novas gerações se recusem a liderar. Recusam liderar “à antiga”.

Apesar disso, 65% das organizações apenas começam, de forma pontual, a repensar os seus modelos de liderança e 29% continuam a privilegiar os modelos tradicionais. O tema da sucessão é frágil, com apenas 39% a indicarem que estão a dar os primeiros passos e 24% das organizações ainda sem acções concretas. Este hiato entre o que se oferece e o que os futuros líderes valorizam compromete o futuro da gestão de talento.

Recordo-me de uma conversa que tive com um director numa organização, onde lhe perguntei quem, na sua equipa de várias dezenas de pessoas, poderia um dia suceder-lhe. A resposta foi directa: “Ninguém.” A minha reacção foi clara: “Então temos um problema de base. Ou não estamos a desenvolver, ou não estamos a seleccionar bem.”

Reformar os modelos de liderança não é uma opção estética, é uma urgência estrutural. O futuro da liderança exige organizações que desenvolvam talento com intenção, propósito e visão, e que criem contextos onde liderar seja visto como um acto de crescimento e não de sacrifício.

Só assim será possível garantir organizações mais humanas, resilientes e preparadas para o futuro.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de de Agosto (nº. 176) da Human Resources, no âmbito da LX do seu Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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