Atenção, salários vão aumentar sim, mas com “prazo de validade” (e o mesmo se aplica às pensões)

Os trabalhadores portugueses vão sentir um alívio imediato no IRS já a partir de Agosto, mas o efeito terá data marcada para acabar. O Governo anunciou novas tabelas de retenção na fonte, que começam a ser aplicadas nos salários processados em Agosto e Setembro, reflectindo a redução do imposto sobre o rendimento aprovada recentemente. O Comparaja reuniu infomação sobre o tema.

 

Porquê esta redução agora?
A descida do IRS faz parte de um pacote de medidas fiscais destinado a aliviar a carga tributária das famílias. A actualização das taxas foi confirmada pelo Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, durante o debate do Estado da Nação na Assembleia da República, assegurando que «as portuguesas e os portugueses poderão sentir já esta nova diminuição das taxas do imposto».

 

Impacto imediato no bolso
Com a entrada em vigor das novas tabelas, os rendimentos líquidos dos trabalhadores por conta de outrem vão aumentar já nos próximos dois meses. O valor da subida vai variar conforme o escalão e a situação familiar de cada contribuinte, mas o Governo garante uma redução real da carga fiscal.

No entanto, este benefício será temporário: a partir de Outubro, as retenções regressam aos níveis habituais, e o aumento do salário líquido desaparece.

 

Descida das taxas por escalão
O Parlamento aprovou cortes no IRS até ao oitavo escalão, com reduções que variam entre 0,4 e 0,6 pontos percentuais:

  • 1.º escalão: de 13% para 12,5%
  • 2.º escalão: de 16,5% para 16%
  • 3.º escalão: de 22% para 21,5%
  • 4.º escalão: de 25% para 24,4%
  • 5.º escalão: de 32% para 31,4%
  • 6.º escalão: de 35,5% para 34,9%
  • 7.º escalão: de 43,5% para 43,1%
  • 8.º escalão: de 45% para 44,6%

O 9.º escalão mantém-se nos 48%.

 

Mais medidas de alívio
Além da descida do IRS, o Governo vai pagar em Setembro um bónus extraordinário até 200 euros a pensionistas com reformas até 1567 euros. Luís Montenegro reforçou que o Executivo pretende «devolver rendimento às famílias portuguesas sem comprometer as contas públicas», destacando avanços na saúde, educação e justiça.

 

O que esperar daqui para a frente?
Os aumentos nos salários de Agosto e Setembro vão reflectir a descida do IRS retroactiva a Janeiro. Mas é importante ter em mente: este alívio é temporário. A partir de Outubro, os valores líquidos voltam ao normal, já que as retenções na fonte regressam aos níveis habituais.

É fundamental esclarecer este ponto, pois muitas pessoas poderão pensar que houve uma redução na sua remuneração, quando na verdade se trata apenas do regresso à normalidade. Cabe também à comunicação social ajudar a explicar esta situação para evitar mal-entendidos.

Em caso de dúvidas, pode recorrer a uma calculadora para estimar o salário líquido considerando diferentes variáveis. Ter literacia financeira e acesso à informação é essencial para compreender as actualizações governamentais que impactam directamente o orçamento de cada família. 

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