B PRIME: Espaços que aceleram comportamentos

O design dos espaços de trabalho tem impacto directo na cultura organizacional. Para a B. Prime, a localização, tipologia e design do escritório influenciam a colaboração e retenção de talento.

Para Jorge Bota, managing partner da B. Prime, as decisões sobre a localização, tipologia e design dos espaços de trabalho têm um impacto directo e profundo na forma como os colaboradores vivem a cultura organizacional. A localização determina não só o alcance geográfico dos colaboradores como também a relação destes com o seu dia-a-dia: acessos rápidos, transportes eficientes e uma envolvente rica em serviços reforçam a satisfação e aumentam a probabilidade de uma presença voluntária no escritório, explica o responsável.

Já a tipologia do espaço, ou seja, como é distribuído entre zonas de foco, áreas colaborativas e espaços informais, modela os comportamentos desejados. Trabalho em equipa, inovação e partilha benefeciam de espaços que estimulem encontros espontâneos e criatividade. As culturas mais orientadas para concentração e autonomia beneficiam de áreas silenciosas e salas individuais.

«Finalmente, o design traduz a identidade da empresa na prática diária. A luz natural, a ergonomia, a acústica, a escolha dos materiais e a narrativa visual contribuem para o bem-estar e para um sentimento de pertença, sendo elementos que comunicam, de forma subtil, mas constante, os valores e a cultura da organização», defende Jorge Bota.

Quando se desenha um escritório moderno, o ponto de partida deve ser o modelo de trabalho da empresa: como está organizada em termos de departamentos e equipas e como se relacionam, afirma o managing partner. A partir daqui, é essencial planear o espaço com base nas actividades reais – foco, videoconferência, co-criação, socialização ou formação – para que cada necessidade encontre um ambiente adequado.

«A flexibilidade é outro pilar, seja através de mobiliário modular, salas reconfiguráveis ou infra-estruturas que permitam mudanças rápidas, como através da possibilidade de acomodar expansões futuras, sem prejudicar o espaço de trabalho», considera.

A eficiência operacional é fundamental para o sucesso da empresa e para que as pessoas sintam que o espaço foi pensado para permitir facilidade de funcionamento e não entropias. A tecnologia vem assumindo cada vez um lugar mais importante, porque facilita a organização do espaço e apoia o planeamento do uso do mesmo, com os mais altos níveis de conforto para todos. Sistemas de sensores permitem recolher dados de ocupação, temperatura, qualidade do ar e ruído, apoiando decisões estratégicas e contribuindo para metas ESG.

Envolvente como vantagem competitiva

A localização é um dos factores mais relevantes no processo de decisão sobre espaço de trabalho, considera Jorge Bota. Não precisa de ser “prime” mas tem de se adequar à empresa e aos seus trabalhadores, oferecendo bons acessos, comércio e serviços variados. Esta conveniência traduz-se em qualidade de vida e, consequentemente, numa maior apetência dos colaboradores para utilizar o escritório.

No que diz respeito ao edifício, uma boa arquitectura do espaço, direccionada para os seus utilizadores, imagem distintiva e sistemas funcionais, como climatização, iluminação e elevadores, são fundamentais para o sucesso da empresa.

A envolvente de um escritório actua como parte integrante da experiência dos colaboradores e tem um peso significativo no seu bem-estar e na sua relação com o trabalho presencial, defende. Restaurantes, cafés, comércio de conveniência, ginásios, serviços de saúde, creches, espaços culturais e zonas verdes tornam a vida mais fácil e agradável.

«Quando os colaboradores conseguem resolver tarefas pessoais a poucos minutos do local de trabalho, sentem maior equilíbrio e menor stress, o que se reflecte numa maior abertura para ir ao escritório. Além disso, espaços exteriores e equipamentos de bem-estar oferecem momentos de pausa e recuperação essenciais para manter níveis saudáveis de energia e concentração», explica.

Segundo o managing partner, uma boa envolvente transforma-se num factor de competitividade para as empresas, influenciando a satisfação, a presença voluntária e o engagement.

Trabalho híbrido e novas expectativas

Nos últimos anos, especialmente com o aumento do trabalho híbrido, os colaboradores passaram a valorizar muito mais a autonomia e a qualidade das condições oferecidas no escritório. Hoje, esperam um ambiente que ofereça conforto, ergonomia e sobretudo condições ideais para concentração, como boa acústica, espaços para chamadas e salas pequenas para reuniões rápidas.

Ao mesmo tempo, valorizam uma experiência social mais rica e intencional: deslocam-se ao escritório para interagir, colaborar e sentir proximidade com a equipa, e não apenas para executar tarefas individuais, considera Jorge Bota.

«A tecnologia deixou de ser um “extra” e passou a ser um requisito: reuniões híbridas fluídas, equipamentos simples de usar e salas preparadas são fundamentais. Por fim, a preocupação com o bem-estar e a sustentabilidade tornou-se central, sendo que os colaboradores procuram ambientes saudáveis, luminosos, eficientes e alinhados com valores ambientais», afirma.

O espaço de trabalho é um acelerador de comportamentos e tem impacto directo na forma como as equipas colaboram, se relacionam e se sentem vinculadas à organização, defende o responsável. Layouts que promovem a colaboração funcional ou diversidade de ambientes de trabalho são valorizados, porque todos são diferentes e nessa flexibilidade encontram mais facilmente o seu espaço ideal.

«A qualidade do ambiente físico – luz natural, qualidade do ar, climatização adequada, insonorização e elementos de biofilia – contribui para reduzir stress, aumentar foco e melhorar energia, favorecendo a produtividade e a satisfação », sublinha Jorge Bota.

Nos próximos anos, a forma como as empresas atraem e retêm talento será fortemente influenciada pela qualidade e relevância dos seus espaços de trabalho, considera o managing partner. As organizações que conseguirem oferecer uma experiência integrada, combinando espaço, tecnologia e serviços num ecossistema coerente, destacar-se-ão.

O foco crescente na saúde física e mental, traduzido em ambientes com excelente qualidade do ar, luz natural, ergonomia e opções alimentares saudáveis, será cada vez mais decisivo. A flexibilidade, tanto no desenho interior como na estrutura dos contratos, continuará a ser um factor crítico para acompanhar ritmos de mudança acelerados. Edifícios com rooftops, ginásios, estúdios ou cafés tornam-se mais valorizados, enquanto a proliferação de phone booths e pequenas salas responde às necessidades de videoconferências individuais.

Já a sustentabilidade, «apresentada de forma transparente e apoiada em dados, será um critério importante para as gerações mais conscientes», enquanto que a proximidade ao talento, «ganhará relevância num contexto em que o tempo é cada vez mais valorizado », conclui Jorge Bota.

Este artigo faz parte da edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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