Barómetro. Do Orçamento do Estado às mudanças na lei laboral: o que dizem os especialistas

Human Resources
26 de Novembro 2020 | 10:35

Com o Orçamento do Estado para 2021 em discussão, na especialidade, quisemos saber o que pensam os profissionais sobre as propostas que mais afectam empresas e trabalhadores. E parece que o OE não serve os interesses nem de uns nem de outros. Também na ordem do dia estão propostas de alteração à legislação laboral e, aqui, há um tema que de destaca.

 

Por Ana Leonor Martins

 

No final do passado mês de Outubro (dia 28), a Assembleia da República aprovou, na generalidade, a proposta do Governo do Orçamento do Estado (OE) para 2021, apenas com os votos favoráveis da bancada parlamentar do PS. O PSD, BE, CDS e os deputados únicos do Chega, André Ventura, e da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, votaram contra, e PCP, PAN e PEV, bem como as deputadas não inscritas Cristina Rodrigues (ex-PAN) e Joacine Katar Moreira (ex-Livre) abstiveram-se. O documento está entretanto a ser debatido na especialidade e será sujeito a votação final global no dia 26 de Novembro. Na 33.ª edição do Barómetro Human Resources, questionámos o painel de especialistas sobre “que interesses serve, maioritariamente, o OE para 2021” e a maioria (47%) foi peremptória na resposta: os interesses do Estado. Em segundo, mas a uma distância de 14 pontos percentuais (pp) surgem referidas as empresas e os trabalhadores (ambos), sendo que nenhum inquirido considerou que o OE serve (só) os interesses das empresas e apenas 11% acreditam que as medidas vão ao encontro dos interesses dos trabalhadores. De referir ainda que para 8%, este OE não serve os interesses de ninguém.

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Concretizando sobre quais as medidas incluídas na proposta do novo OE mais importantes para os trabalhadores (podendo ser escolhidas duas), destaca-se o “apoio extraordinário ao rendimento dos trabalhadores, tendo como valor de referência o limiar da pobreza (501 euros), para quem perdeu o emprego ou teve quebra significativa da sua actividade”, com 64%, seguindo-se o “aumento do salário mínimo nacional” (SMN), referido por 53% dos especialistas.

Dado o actual contexto ainda de pandemia e de forte pressão sobre os profissionais de saúde, é de salientar que apenas 14% dos inquiridos consideraram que o “subsídio extraordinário de risco para os profissionais de saúde que se encontram na linha da frente da resposta à COVID-19, no valor de 20% do salário base (até a um máximo de 209 euros) está entre as medidas mais relevantes.

A propósito da proposta de aumento do salário mínimo nacional, de 635 para 659 euros, refira-se que quase metade dos especialistas (44%) considera que é uma medida positiva, quer para os trabalhadores, quer para as empresas. No entanto, um em cada quatro (25%) considera que é um aumento positivo para os trabalhadores, mas negativo para as empresas.

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No que respeita às medidas do OE mais importantes para as empresas (podendo ser escolhidas até duas), os resultados do Barómetro da Human Resources evidenciam a “eliminação do agravamento das tributações autónomas para as micro, pequenas e médias empresas” (64%), seguida da “manutenção da medida Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento no primeiro semestre de 2021” (44%).

 

As mudanças na lei laboral
Como consequência da discussão para o Orçamento do Estado para 2021, mas não só, o Governo demonstrou intenção de implementar mudanças na legislação do trabalho. Entre as cinco destacadas pela redacção da Human Resources, e pedindo-se ao painel de especialistas para identificar as mais relevantes (até duas), foi praticamente unânime a concordância sobre a necessidade de regular modelos híbridos de trabalho, clarificar regras sobre a saúde e segurança, privacidade, direitos e deveres dos trabalhadores nos meios e instrumentos para a prestação do trabalho, tendo sido a opção escolhida por 97% dos inquiridos. Surge em segundo, mas a larga distância (com 31% de respostas), a importância de limitar os efeitos do alargamento do período de trabalho para jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração que sejam dispensados entre os três e os seis meses. A medida proposta considerada menos relevante (6%) é o reforço da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). O “direito a desligar” foi considerado relevante por 25% dos especialistas.

Já em relação ao novo apoio extraordinário à retoma progressiva da actividade económica (que veio substituir o lay-off simplificado), e questionando-se se responde ou não às necessidades das empresas, a maioria (67%) acredita que “sim, na medida do possível”. Havendo uma percentagem ainda significativa (11%) de quem não responde, para 17% a resposta é não. Uma minoria de 6% defende que responde completamente às necessidades.

 

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A natureza do trabalho está a mudar? Parece que não
Com as empresas a tentar conter custos fixos, e também com uma maior democratização do remoto, perguntou-se ao painel do Barómetro da Human Resources se, nas respectivas empresas, o nível de recorrência aos serviços de Outsourcing, a trabalhadores independentes e/ou temporários iria aumentar, diminuir ou manter-se, metade (50%) revela que irá manter-se. Nos casos em que não se mantém, a maioria (30%) acredita que vai diminuir (25%) ou até diminuir muito (6%), o que se traduz em mais 11 pontos percentuais do que os que referem que irá aumentar (19%).

Recorde-se que na edição anterior do Barómetro (realizada há dois meses), 52% dos especialistas perspectivaram que, em Janeiro de 2021, o emprego total na sua empresa, em comparação com a realidade existente em Janeiro de 2020, estará mais baixo.

Sobre se a natureza das funções está a mudar com a crescente digitalização, e perante a pergunta se “na sua empresa, estão a transitar colaboradores para outras funções que ganharam relevância durante a pandemia”, metade (50%) dos inquiridos afirma que não. Já 39% admitem que sim, mas ressalvando que serão poucos.

 

Fique a conhecer todos os resultados do XXXIII Barómetro Human Resources na edição de Novembro da Human Resources, nas bancas (se preferir a versão online, pode comprar a versão em papel ou a versão digital), e o comentário dos especialistas:

– Nelson Ferreira Pires, director-geral da Jaba Recordati, Recordati UK/ Recordati Ireland

– Tiago Brandão, director-geral da The Browers Company

– Ricardo Nunes, director de Pessoas e Organização da Novabase

– Catarina Tendeiro, directora de Recursos Humanos do Grupo Ageas Portugal

– Nuno Gonçalo Simões, director de Capital Humano da PwC

– Nuno Troni, director da Randstad Professionals

– Pedro Ramos, director de Recursos Humanos da TAP Air Portugal

 

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