Black Friday. Recursos Humanos a preço de saldo?

Human Resources
22 de Novembro 2023 | 21:00
Black Friday. Recursos Humanos a preço de saldo?

Estamos perante um tema quente, mas temos de o abordar sem termos medo de nos queimar. Em Portugal, confrontamo-nos com dados preocupantes sobre a nossa trajectória de crescimento. Sabemos que não estamos a ser capazes de dar oportunidades às actuais gerações e às vindouras.

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Por Sara Vargas, National Corporate leader, Claire Joster

 

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Retemos talento? Conseguimos vincular os profissionais ao propósito das organizações? Temos de investir para que os profissionais tenham as suas necessidades básicas totalmente satisfeitas, capazes de trabalhar motivados e focados no ciclo virtuoso para o qual o seu trabalho contribui e do qual podem extrair benefícios que lhes permitam viver a sua vida com qualidade.

Hoje em dia são muitas as dúvidas: conseguimos atrair o talento de que precisamos? Será que Portugal está a preço de saldo? Será que vivemos em Black Friday?

Sobre acções promocionais, sabemos que são excelentes para escoar stock, como investimento de comunicação e marketing, como estratégia de aumento de quota de mercado… mas, sabemos que a promoção permanente traz um impacto considerável para o negócio. Como é percepcionado o valor do serviço que presta/produto que vende pelo seu cliente? Nestas permissas, quando vai ser possível conseguir subir o valor?

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O consumidor adora comprar mais barato e, em Portugal, com o nível económico em decréscimo, quase que só pode comprar em promoção. Mas é este país que queremos? Um consumidor sem poder de escolha, obcecado com o critério preço, que só compra barato, e um vendedor focado em reduzir custos para conseguir manter EBITDA e quota de mercado?

Como recrutadora de executivos assisto e acompanho brainstormings exigentes e desafiadores, onde também falamos da necessidade ou inevitabilidade das acções promocionais, e a sua consequência no crescimento e posicionamento da empresa, bem como no cash flow disponível para alavancar o negócio, aumentar salários e, consequentemente, o nível de vida dos colaboradores e do país.

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Será que temos estado a fazer as melhores escolhas?

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Da parte dos decisores tenho dúvidas que estejam totalmente despertos para a necessidade de aumentar salários e o vínculo dos colaboradores e, ainda, se estão conscientes do impacto da remuneração desde o recrutamento. Sabendo desta necessidade, como posicionam a proposta de valor para os colaboradores e, consequentemente, o preço do produto que vendem/serviço que prestam?

Aos profissionais questiono se estão conscientes do que significa “aquele pedido de descida de preço” para “satisfazer o cliente” e “incrementar vendas a curto prazo”. Estou quase certa de que a descida de preço implica deixarem de ganhar para as funções que desempenham. E resta questionarem-se: contratavam-se para fazer o que fazem?

Conseguimos, todos, concordar que empresas e pessoas se fundem, uma vez que as segundas são inevitavelmente as operadoras das primeiras. Então será possível cooperar para que se gere riqueza?

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Em termos económicos, quando alguém ganha, não leva a que outro alguém perca! Pelo contrário, o crescimento é um catalisador de coisas boas. Façamos por crescer, conscientes do que representam as escolhas que fazemos.

Sobre esta analogia com a Black Friday: aproveitemos a globalização para tudo! Estimulemos o consumo, mas aprendamos com outros mercados o que podemos fazer para crescer, inovar e alavancar Portugal.

Esta reflexão não se extingue. E não nos levando a uma conclusão, pode e deve levar-nos à acção. Anotem: ambientes profissionais de baixos salários geram profissionais desmotivados. Profissionais desmotivados tornam-se tóxicos.

Propositadamente, foram deixadas de fora questões fiscais.

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