Cinco desafios da liderança e talento 4.0

Human Resources
7 de Abril 2020 | 08:55

Vivemos num mundo em mudança rápida e exponencial. A questão central reside na capacidade das pessoas e das organizações para acompanharem o ritmo que a evolução tecnológica impõe.

 

Por Luís Sítima, managing partner do Grupo Odgers Berndtson Portugal

 

As organizações mais competitivas serão aquelas que demonstrem agilidade para mudar mais rapidamente e de forma mais eficaz. Nestas, a liderança e o talento já não são um enabler à agenda do negócio: são o core do negócio. Com base na experiência do Grupo Odgers Berndtson junto dos principais players nacionais e globais, sistematizamos cinco desafios que irão definir esta agenda nos próximos anos.

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1. People and Market Intelligence. As decisões mais importantes que tomamos no contexto organizacional são sobre pessoas. Se queremos tomar melhores decisões, a inteligência sobre as pessoas será determinante, à semelhança do processo de tomada de decisões financeiras ou comerciais. Deter um profundo conhecimento das pessoas e do mercado, incorporar o planeamento estratégico de talento no planeamento estratégico da organização e potenciar o People Intelligence através de People Analytics, serão cada vez mais condições necessárias para assumir o talento como uma vantagem competitiva.

2. Employee Centricity. Num contexto onde a diversidade faz a diferença, gerir as diferenças entre as pessoas é um factor decisivo na sua atracção, motivação e desenvolvimento. Há muito que se fala de aplicar técnicas de Marketing à gestão de “Recursos Humanos”, alinhando os produtos (políticas) às necessidades dos segmentos de clientes (colaboradores). Neste sentido, a agenda passará por mudar o minset da Gestão de Pessoas de “produto” para “mercado”, ganhando relevo o desenvolvimento de propostas de valor personalizadas para diferentes segmentos, e proporcionando employee experiences com impacto no ciclo profissional dos colaboradores. No fundo, pensar “pessoas” mais do que “recursos”.

3. Agile Organisations. No mundo 4.0, organizações movidas por estatuto, hierarquias e rigidez de processos, serão facilmente superadas por uma nova geração de organizações, movidas por propósito e rápidas na execução. Para que a organização se torne mais ágil, três
ideias centrais irão pautar a agenda nos próximos anos: 1) alinhamento com um propósito integrador da estrutura; 2) aumento da conectividade e relações de parceria com o exterior; 3) identificar, apostar e desenvolver o Widespread Potential (WIPO), alargando a base de agentes de mudança a toda a estrutura.

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4. Leadership Schools. A liderança é o motor de mudança. Por isso, um dos desafios que se imporá é a capacidade de as organizações se assumirem como verdadeiras “Escolas de Liderança”. “Escolas” destinadas a todos aqueles que ambicionam fazer a diferença, que desenvolvam simultaneamente o profissional e a pessoa ao longo da sua leadership journey e, em simultâneo, através de abordagens 70/20/10, que assegurem a incorporação desse desenvolvimento no dia-a-dia da organização.

5. Team Effectiveness. Nesta nova dinâmica organizacional, a conectividade e eficácia inter e intra equipas ganhará especial relevo, no sentido de retirar o máximo valor das relações, da diversidade e da complementaridade das competências individuais. Constituir e preparar equipas de alto rendimento, sejam em missões, projectos ou estruturas, estará cada vez mais no centro da agenda da Liderança e Talento. Fazê-lo ao mais alto nível é, sem dúvida, o ponto de partida. E talvez o maior e mais impactante desafio, assegurando o alinhamento de propósito, a eficácia do modelo de governo, a complementaridade do mix de skills e o advisory/challenge contínuo à equipa executiva da organização.

Cinco desafios, uma mesma tendência: a agenda de Liderança e Talento estará no centro do negócio e a business agenda confundir-se-á com a people agenda. Em consequência, será cada vez um mais um tema de ownership (e não só sponsorship) do C-Level. E este será o derradeiro desafio para o sucesso das organizações 4.0.

 

Este artigo foi publicado na edição de Março da Human Resources.

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