Como (não) fazer a gestão de talento

Human Resources
11 de Fevereiro 2025 | 10:30
Como (não) fazer a gestão de talento

Por Carlos Sezões, Managing Partner da Darefy – Leadership & Change Builders

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Sim, há mais de uma década que os programas de gestão de talento estão na moda. Quase todas as empresas que se prezam têm (ou alegam ter) um. Seja mais estratégico, holístico e pensado num ciclo de gestão ou meramente operacional, com assessments ocasionais ou acções de formação avulsas. Na minha actividade profissional tenho estado empenhado no diagnóstico, desenho e implementação de programas variados. Vi também muitas organizações desenvolverem muitos outros e recebi inúmeros relatos sobre o seu sucesso ou insucesso. É um pouco desta experiência que quero aqui sintetizar e partilhar.

Sim, o tema é crítico para as organizações que procuram atrair, reter e desenvolver as suas pessoas. Um programa de gestão de talento robusto não só garante um fluxo constante de colaboradores de elevada performance e potencial, com competências-chave e engagement/ compromisso, como também promove a inovação e o crescimento organizacional. No entanto, mesmo os programas de gestão de talentos mais bem-intencionados podem falhar devido a erros ou armadilhas comuns. Na minha perspectiva, teremos de evitar, essencialmente:

  1. Falta de alinhamento estratégico

Um dos erros mais comuns na gestão de talentos é não alinhar o programa com a estratégia empresarial – i.e. missão, negócio, matriz cultural. Sem uma ligação clara com os objetivos estratégicos, as iniciativas de talento correm o risco de se tornarem desconexas ou irrelevantes. Por exemplo, se uma empresa prioriza a transformação digital do modelo de negócio ou a internacionalização, terá de definir os skillsets correspondentes para o sucesso dessas prioridades. As estratégias de talento devem são adaptadas para suportar essas metas (e revistas/ ajustadas, com regularidade e agilidade).

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  1. Falta de inclusão (ou a tentação de “elitizar” a gestão de talento)

Um dos maiores erros neste tema é segmentar e ter apenas como destinatários do processo um conjunto de eleitos (uma talent pool), menosprezando o imenso talento do universo de colaboradores. Um programa equilibrado deve abranger toda a organização e, sem prejuízo de acções direcionadas, ter oportunidades, iniciativas de exposição/ mapeamento e desenvolvimento para todos.

  1. Não encarar a gestão de talento como um ciclo

As organizações cometem muitas vezes o erro de se focarem em iniciativas avulsas (seja de assessment ou formação). Uma gestão de talento sustentável deve estar assente num ciclo básico de atracção – acolhimento e integração – análise e avaliação e desenvolvimento e progressão.

  1. Não comunicar de forma clara e eficaz

Muitos processos/ programas de talento não falham por estarem mal desenhados, mas por serem comunicados de forma deficiente – não endereçando o seu propósito ou os benefícios a nível individual/ organizacional. Tal pode originar uma baixa participação e envolvimento e até resistências internas.

  1. Não medir a eficácia da gestão de talento

Muitas organizações implementam programas de gestão de talentos sem estabelecer métricas para avaliar o seu sucesso – que poderão ir de taxas de internal readiness/ sucessão até ao nível de proficiência de competências. Sem dados, será complicado atualizar muitos dos seus processos e ferramentas – e, em alguns casos, sustentar a sua regularidade (e custo) em períodos mais conturbados na organização.

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Em suma, alguns princípios-chave para (pela positiva) fazer bem: alinhar, simplificar, integrar, comunicar e monitorizar. E garantir assim que a gestão de talento tem impactos reais na organização.

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