Como os princípios Kaizen podem ajudar as empresas nesta época de crise

Perante a inevitabilidade de uma crise como aquela que vivemos, fruto de uma inesperada pandemia, muitas organizações tendem a focar-se nos aspectos ligados à sua sobrevivência. Mais do que nunca, é nestas alturas que é fundamental tomar as melhores decisões de modo a acelerar a recuperação pós-crise e a manter a sustentabilidade da organização.

 

Por José Maria Ferreira, fundador e CEO do Grupo Ecosteel

 

Inevitavelmente, as empresas vão sofrer e só vingarão aquelas que recuperarem rapidamente no pós-crise, adquirindo vantagem face à concorrência e garantindo uma confortável posição no mercado. É nesse contexto que a implementação dos princípios Kaizen podem ajudar as empresas a serem resilientes, a terem capacidade de mobilização e capacidade de responder positivamente às expectativas de cada um dos níveis da organização.

Perante uma realidade nunca vista, muitas foram as empresas que negligenciaram as medidas da COVID-19. Limitaram-se a manter-se num modo defensivo, acabando por adiar as sensatas tomadas de decisão que, quando baseadas nos princípios Kaizen, permitem identificar os riscos e a forma como os mesmos poderão ser mitigados. É fundamental acompanhar os indicadores de controlo e traçar um plano de acção de modo a que, caso ocorram situações inesperadas, seja possível antecipar e implementar políticas temporárias, aumentando a capacidade de resposta.

Uma empresa, ao basear a sua conduta nos princípios Kaizen, terá ainda de ter em conta que numa crise toda a cadeia é afectada e não apenas a empresa. Seja qual for a decisão esta reflectir-se-á nos clientes, fornecedores e sociedade em geral. Assim sendo, há que fortalecer a capacidade de resolução de problemas, a qual passa pela capacidade de avaliar o impacto das tomadas de decisão e envolver todos os indivíduos da organização, levando-os a agirem como um só.

No que toca ao capital humano os colaboradores são os melhores activos. É importante que todos saibam o quanto são importantes. Relativamente aos stakeholders, há que trabalhar em conjunto para combater as fragilidades.

Por último é fundamental saber liderar com propósito, clareza e confiança. Nos dias de hoje são muitos os meios que permitem manter o contacto pessoal, partilhar preocupações, expectativas ou necessidades. Se em tempos normais, mais de 85% da força de trabalho não entende o propósito da companhia, dificilmente se conseguirá que em tempos de crise exista um maior entendimento. Comunicar torna-se assim uma das mais importantes estratégias quando se trata de fomentar um sentimento e reconhecimento de todos os que fazem parte da cadeia empresarial.

Depois da crise da COVID-19 se dissipar, veremos as empresas a enquadrarem-se numa de duas categorias. Na primeira, as que nada fizeram, esperando que tal situação nunca mais se repetisse. Na segunda, as empresas que, com as lições aprendidas com esta crise, investiram nas suas cadeias de valor, por forma a mitigar os riscos e evitar operar “às cegas” quando a próxima crise ocorrer.

Estas últimas são as que sairão mais fortalecidas com melhorias significativas na velocidade de resposta e flexibilidade das suas operações. Essas empresas serão as vencedoras no longo prazo.

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