Consulting House: Estratégia, atitude e cooperação

Human Resources
26 de Agosto 2024 | 13:30
Consulting House: Estratégia, atitude e cooperação

Nas empresas, como no futebol (escrevo no rescaldo do Euro 2024), as melhores equipas precisam de poucas coisas. As três mais importantes estão no título deste artigo.

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Por: Ricardo J. Vargas, CEO da Consulting House, Psicólogo, Executive Coach, Certified Management Consultant Pelo IMC USA, Certified Speaking Professional pela NSA USA, autor do bestseller internacional Chief Executive Team

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Há mais requisitos para o sucesso? Pessoas competentes, equipamento, treino? Sim, claro, mas o meu argumento é que esses são requisitos mínimos.

Todas as equipas que participam no campeonato têm profissionais competentes, equipamento adequado, horas de treino e uma série de outros essenciais. O que diferencia as que ficam em primeiro é terem: uma estratégia vencedora, que ligue bem as necessidades do mercado com as capacidades da equipa; uma atitude aguerrida e comprometida de total empenho em todas as fases do jogo; e cooperação oleada para arrancar a estratégia à teoria e executá-la em conjunto, preenchendo os vazios com criatividade ao longo do jogo.

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Estratégia, atitude e cooperação podem ser trabalhadas de muitas maneiras, mas quero aqui falar do veículo menos aproveitado para o fazer: os eventos corporativos.

 

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O potencial dos eventos corporativos
A maioria das empresas tem momentos ao longo do ano em que reúne grupos funcionais (por exemplo vendedores), hierárquicos (líderes), ou toda a empresa, para passar um conjunto de mensagens. Seja para trabalhar um ciclo de vendas, informar sobre resultados, preparar o ano, explicar a estratégia ou vender uma mudança, fazemos um evento.

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Mas colocar as pessoas na mesma sala não garante que se tornem uma equipa capaz de entender e executar a estratégia. Da mesma maneira que colocar todos os ingredientes numa forma não faz um bolo. Falta misturar na sequência certa e ativar a fusão química das capacidades individuais, alinhando-as com o resultado desejado. E isso é pouco feito nos eventos corporativos.

Os ingredientes habituais dos eventos são dois: informar e animar. Primeiro informamos sobre a estratégia, o produto, os resultados, a visão, ou o que seja o tema do dia. E quando as pessoas estão empanturradas de informação damos-lhes a animação, na forma de um teambuilding (nome genérico para coisas feitas em equipas), uma palestra motivacional ou um espectáculo divertido. Para que se distraiam e gostem do evento.

Os problemas habituais destes ingredientes são dois: transferência e permanência. Informar sobre a estratégia não garante que as pessoas sejam capazes de executá-la. Informar sobre o produto não significa que as pessoas sejam capazes de o vender. Explicar a mudança não faz com que as pessoas comprem a sua necessidade e a executem. O foco na racionalidade, no entendimento de conceitos, nos números, não chega para que os membros da equipa façam a transferência dos conteúdos para acções quotidianas.

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A palestra motivacional, dada em geral pela narrativa de superação de uma pessoa bem-sucedida em qualquer área da vida, que moveu montanhas para chegar onde está, não garante que as suas circunstâncias, competências e decisões sejam acessíveis e operacionalizáveis por quem escuta com muito interesse. Tende a tornar-se uma história interessante que o espectador recorda com admiração sem fazer qualquer ponte com a sua realidade.

Se perguntarmos no final do evento como é que os participantes vão resolver os problemas mais frequentes na implementação da nova estratégia, ou na venda do novo produto, teremos uma surpresa. As pessoas até conseguem explicar o que se espera delas, quais as acções necessárias. Mas como não há aprendizagem, não transferem para o quotidiano novas formas de agir e de resolver problemas. E os conteúdos abordados desvanecem- se da memória, não permanecem.

 

A aprendizagem como vector de transmissão
Para que alguém retenha e transfira algo, tem de torná-lo seu, tem de fazer a transferência no momento da aquisição do conhecimento. O conhecimento teórico é pouco valorizado fora do meio académico. Como os praticantes de artes marciais sabem, “prática e conhecimento são apenas um”. Ninguém ganha um combate, um campeonato, ou uma batalha, em teoria. Todos os modelos, conceitos e ideias, ou funcionam na prática ou não são conhecimento.

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Conhecer exige experimentar, utilizar os sentidos, assimilar uma realidade através de provas da sua existência. Conhece quem age. Sabe quem pratica. Sem prática não há conhecimento, repetia o meu mestre em todos os treinos. Esta prática é a aplicação de operações, mentais ou psicomotoras, a uma realidade que se pretende conhecer.

Quando queremos transmitir uma estratégia para ser executada não podemos simplesmente comunicá-la. Temos de garantir a sua assimilação, através de operações mentais a que chamamos aprendizagem. Sem ela não existe verdadeira transmissão da estratégia.

 

Dificuldade de estratégia
A dificuldade da estratégia não está no falar, está no fazer. Todas as estratégias para deixar de fumar, ou perder peso, são simples e eficazes em teoria. Na prática esbarram com a dificuldade de mudar hábitos e de adaptar o comportamento a uma realidade que preferimos não enfrentar.

Quando estou a apoiar clientes em workshops estratégicos de grandes grupos, em eventos corporativos, vejo muitas vezes os executivos preocupados com a qualidade da estratégia. Na verdade, é quase irrelevante. Costumo explicar, para os tranquilizar e preocupar, que uma boa execução salva uma estratégia mediana, e uma execução mediana estraga uma boa estratégia. Quando quem decide a estratégia passa a responsabilidade da sua execução a outros, abaixo na hierarquia, tende a achar que já fez o seu trabalho.

A transmissão da estratégia, seja ela de que tipo for, é um primeiro momento de aprendizagem de uma nova maneira de ser e fazer. O evento corporativo é uma oportunidade única de o conseguir. Aproveitando todas as pessoas relevantes estarem juntas é possível gerar um alinhamento nas operações mentais efectuadas individualmente e em conjunto no grupo para criar a base de aprendizagem que garante o entendimento, adesão e execução da estratégia.

Desenvolvemos para isso sequências de workshops e metodologias de aprendizagem a ser executadas no evento, que infundem a estratégia no quotidiano e usam as competências individuais para aprimorar a estratégia. Melhor do que uma estratégia perfeita é uma estratégia eficaz. Esta acontece apenas quando as pessoas a consideram propriedade sua.

 

Todos temos problemas de atitude
Apropriar-se da estratégia significa ter margem de manobra para desenhar uma implementação eficaz. E isto insere as questões de atitude na nossa conversa. Todos resistimos àquilo que não conseguimos alterar. Já sabemos isto, e outras coisas.

Já sabemos que existem sempre dificuldades pessoais que se manifestam apenas no momento da execução. Uma dieta parece sempre melhor quando vemos a foto do guru das dietas do que quando estamos à frente do fogão a cozinhar, ou quando olhamos para o resultado no nosso prato.

A melhor forma de lidar com objecções – e as atitudes negativas são objecções – é antecipá-las. Mas nos eventos corporativos o contraditório não é bem recebido. Vende-se uma realidade que não contempla alternativas, e isso é contraproducente.

As objecções representam emoções que precisam de ser trabalhadas de forma a abrir a mente para a racionalidade. Se nos sentimos mal com uma acção, por medo, desconfiança, preguiça ou raiva, não vamos implementá-la.

As atitudes contraditórias ao que estamos a propor como mote do evento podem ser antecipadas e neutralizadas, fornecendo ferramentas cognitivas e emocionais aos participantes para ver e sentir a realidade de formas diferentes, mais úteis. Ignorar a realidade das atitudes desalinhadas na empresa não a faz desaparecer. Se não trabalharmos as atitudes contra a estratégia no momento da sua comunicação, quando vamos fazê-lo?

Desenhamos momentos de inspiração, sketches, animação, em que os participantes são confrontados de forma positiva com o ridículo das suas atitudes negativas. Criamos guiões alternativos de acção para lidar com as questões de atitude. E garantimos que as pessoas os assimilam. Há ferramentas de Psicologia Social que servem bem este fim.

 

Tudo é feito por equipas
Tudo o que existe foi feito por equipas. Pode ter sido idealizado e desenhado individualmente, mas o mais provável é que tenha sido criado em equipa. A empresa que querem ter no futuro será criada por uma equipa – a vossa. Qualquer que seja a estratégia comunicada no evento, ou é executada em equipa ou não acontecerá. Para isso deve ser consolidada durante o evento utilizando elementos de cooperação através de gamificação, simulação, e aprendizagem organizacional em equipa.

O seu próximo evento corporativo pode incluir todos os ingredientes que listei neste texto para que a empresa entenda, assimile, adira emocionalmente e execute em equipa a estratégia desenhada. Estratégia, atitude e cooperação são mais fortes quando acontecem juntas desde o início.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Team Building/Eventos Internos” publicado na edição de Agosto (n.º 164) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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