Consultoras de topo estão a mudar as regras do jogo nas entrevistas de emprego

Há décadas que, nos processos de recrutamento, consultoras como a McKinsey & Company, o Boston Consulting Group e a Bain & Company se baseiam em entrevistas de caso, nas quais os candidatos trabalham em problemas simulados de clientes com executivos da empresa.

Agora, com essas mesmas consultoras a adoptar a IA e a orientar os clientes sobre como fazer o mesmo, a tecnologia tornou-se um novo obstáculo no prestigiado processo de entrevistas da McKinsey, BCG e outras, reporta o Business Insider.

Isso porque estão a focar-se mais na criação, implementação e manutenção de ferramentas para as empresas do que nos tradicionais projectos de consultoria. Consequentemente, procuram candidatos que compreendam as nuances da IA ​​e que a possam utilizar para trabalhar de forma mais rápida e inteligente.

No início deste mês, vários órgãos de comunicação social noticiaram que a McKinsey tinha começado a testar o Lilli, o seu chatbot interno, em entrevistas. O chatbot é utilizado internamente na consultora para sintetizar a actividade de 100 anos e mais de 100.000 documentos e entrevistas.

Delphine Zurkiya, Senior partner da McKinsey, disse ao Business Insider que mais de 70% dos 45 mil colaboradores da empresa utilizam agora a ferramenta, e que aqueles que a utilizam o fazem cerca de 17 vezes por semana. Vários analistas da McKinsey disseram que a utilizam para pesquisa, resumo de documentos, análise de dados e brainstorming.

O chatbot, Casey, do Boston Consulting Group também já faz parte das entrevistas. Semelhante ao Lilli da McKinsey, pede aos candidatos que respondam a perguntas de estudo de caso com mais ambiguidade do que numa entrevista presencial.

Por outro lado, a utilização de IA por parte dos candidatos tem limites para as consultoras.

Durante uma conversa de networking com um recrutador da BCG, Ammon Jensen, futuro estagiário de Verão da consultora, descobriu que a empresa, pelo menos no escritório de Dallas, tinha deixado de analisar as cartas de apresentação, pois agora é muito fácil escrevê-las com o ChatGPT e outras ferramentas de IA. E alguns candidatos foram rejeitados por utilizarem a tecnologia nas suas entrevistas de formas não aprovadas.

Houve inclusivamente casos em que os estudantes utilizaram IA em entrevistas por Zoom para os ajudar a resolver casos. Claro que os entrevistadores se aperceberam quase imediatamente, terminaram a entrevista e disseram aos candidatos que não seriam considerados no futuro.

Ler Mais