COVID-19. Um quarto dos portugueses diz sentir-se ansioso. Saiba quem está com maior dificuldade de gestão das emoções

Margarida Lopes
20 de Abril 2020 | 10:30
COVID-19. Um quarto dos portugueses diz sentir-se ansioso. Saiba quem está com maior dificuldade de gestão das emoções

De acordo com a TSF, um quarto dos portugueses diz sentir-se ansioso, em baixo, ou triste “todos os dias” ou “quase todos os dias”, por causa da pandemia, sendo a maioria mulheres e pessoas em teletrabalho. Esta é uma conclusão do questionário “Opinião Social” do Barómetro COVID-19, da Escola Nacional de Saúde Pública.

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O questionário mostra ainda que 55% dos inquiridos admitem sentir-se assim “alguns dias” e quase um terço reportou distúrbios de sono, um quarto diz sentir que não consegue fazer tudo o que precisava fazer e 23% confessa estar sempre a pensar na COVID-19.

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Dos participantes no estudo que dizem sentir-se ansiosos “todos os dias”, 35% são trabalhadores em teletrabalho, 23% suspenderam a sua actividade profissional e apenas 9% está no local de trabalho.

Os investigadores apontam como possível explicação para estas diferenças o facto de as pessoas em teletrabalho poderem estar a ter dificuldades em gerir a sua actividade profissional em simultâneo com a vida pessoal e familiar.

Por outro lado, as pessoas que suspenderam a actividade estarão preocupadas com a possível perda de rendimento, explica a coordenadora científica do estudo, Sónia Dias.

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«As pessoas que se têm sentido mais ansiosas ou tristes apresentam menores níveis de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde e também se sentem em maior risco de contrair COVID-19», refere o estudo, que decorreu entre 21 de Março e 10 de Abril e recolheu 160.157 respostas.

Os idosos são quem se sente agitado, ansioso ou triste com menor frequência, quando comparados com a população entre os 26 e os 65 anos, refere Sónia Dias.

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«Em suma, 82% dos respondentes sente pelo menos um dos possíveis efeitos negativos na sua saúde mental, desencadeado pelo período que vivemos», refere o barómetro, um projecto de investigação que pretende «responder, em tempo útil, aos desafios impostos pela pandemia global».

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Profissionais em maior risco com tendência idêntica
Os dados revelam também que os inquiridos que pertencem a grupos profissionais de maior risco, como profissionais de saúde, forças de segurança, meios de socorro, operadores de supermercado, não diferem dos restantes relativamente à frequência com que se sentem agitados, ansiosos, em baixo ou tristes, o que surpreendeu os investigadores.

«Será que, embora estas pessoas estejam expostas a contextos mais adversos, o facto de se sentirem activas e produtivas pode contribuir para uma maior resiliência à ansiedade e tristeza», questiona Sónia Dias.

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O facto de as pessoas não terem apoio para adquirir bens essenciais também parece influenciar a forma como se sentem, cerca de um terço das pessoas nesta situação diz sentir-se ansioso ou em baixo “todos os dias” ou “quase todos os dias”.

Os investigadores também alertam para o possível aumento do consumo de comida calórica, tabaco e álcool.

«Uma percentagem de participantes, que nos chama a atenção, revela que aumentaram os comportamentos prejudiciais à sua saúde, dado que 16% admite comer mais doces, gorduras ou comidas mais calóricas e 8% reconhece estar a fumar mais ou a beber mais álcool», refere Sónia Dias.

Quem adopta estes comportamentos reporta sentir-se ansioso com mais frequência. São as mulheres que dizem consumir mais alimentos hipercalóricos, enquanto os homens aproveitam mais o tempo para fazerem coisas de que gostam.

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Para lidar melhor com a situação actual, 80% refere o contacto com os familiares e amigos, mesmo que à distância, mais de metade procura manter rotinas e aproveita o tempo para fazer coisas de que gosta. Cerca de 45% diz limitar a quantidade de informação que vê sobre a doença.

«Os nossos resultados mostram que é essencial que se divulguem, de forma clara e simples, estratégias de promoção de comportamentos saudáveis, do bem-estar e da qualidade de vida, nomeadamente na área da alimentação saudável e promoção da actividade física», defende a investigadora.

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