Cuidar é o novo KPI. Mais do que recursos, relações.

Por Sofia de Castro Fernandes, membro do Comité Prémio Cinco Estrelas

 

Durante décadas, contámos pessoas como se fossem números. Medimos horas de entrada, dias de ausência, custos por contratação. Os Recursos Humanos eram isso mesmo — recursos. Contabilizados, geridos, optimizados. Como se a produtividade resultasse do controlo. Como se o valor humano fosse tangível.

Há bem pouco tempo, os KPI olhavam para as pessoas como peças de uma engrenagem: são úteis, são necessárias, são substituíveis e o sucesso da equipa media-se por quão pouco faltava, por quão barato era contratar ou por quão rápido alguém preenchia uma vaga. Felizmente, o mundo muda. E com ele, mudamos todos também.

A tecnologia acelerou, a informação democratizou-se e o trabalho deixou de ser só a fonte de sustento. Dessa forma, passou a querer ser o sentido. Entraram em cena novas gerações, com novas perguntas: “Porque é que faço isto? Para quê? Que impacto tem aquilo que faço? Identifico-me com isso? E as organizações forçaram-se a escutar.

Hoje, já não chega medir quantas pessoas saem. É mais relevante perceber por que saem. Hoje, já não chega saber se alguém está presente. É mais relevante saber se está bem. Hoje, já não basta medir performance. É mais relevante medir o propósito, sentido da pertença e a empatia.

São formas mais humanas de olhar para quem trabalha connosco. É a saúde mental, a inclusão emocional, a confiança, o sentido. É tentar medir o que antes não se media.
É esse progresso que queremos sentir nas organizações das quais fazemos parte.

Nos próximos anos, vamos medir a agilidade de aprender, a capacidade de criar em conjunto com inteligência artificial, o impacto da liderança empática. Vamos querer saber quantos colaboradores se sentem psicologicamente seguros. Quantos sentem que têm voz. Quantos vestem a camisola e quantos sentem orgulho no papel que têm na sua organização.

Agora, fazemos parte desta mudança, somos nós que chegámos ao lugar em que as mudanças são decididas e, nesta área específica das pessoas, é tempo de mudar a própria palavra “gestão”, para passar a ser valorização. Mudar do controlo para a confiança. É uma nova forma de olhar. Um olhar que mede, sim, mas com o coração.

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