Custos de seguros deve aumentar mais de 10% para as empresas

Em 2025, está previsto um aumento médio de 10,3% no custo dos seguros. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Custos dos Seguros de Saúde para as Empresas em Portugal”, desenvolvido pela Coverflex, que analisa a evolução esperada dos preços, os factores que influenciam essa mudança e as principais tendências do sector.

 

Esta subida de preços exige um maior investimento financeiro para as empresas. Por isso, segundo o estudo é importante adoptar uma abordagem estratégica, uma vez que o corte desse benefício pode afectar directamente o recrutamento, a retenção e a satisfação do colaborador.

Para enfrentar este desafio, as empresas podem adoptar estratégias como:

  • Renegociar as condições da apólice com as seguradoras, com eventuais alterações no desenho das coberturas e partilha de custos com o colaborador (franquias, co-pagamentos,  ou contribuição no prémio)
  • Promover a prevenção e programas de literacia em saúde, para reduzir a utilização desnecessária e contribuir para uma sinistralidade mais controlada
  • Considerar oferecer benefícios flexíveis, que permitem não só acomodar as diferentes necessidades da equipa, como também a partilha de custos entre a empresa e os colaboradores

 

A inflação médica é o principal motor deste aumento, com subidas significativas nos preços das consultas, exames complementares de diagnóstico, tratamentos especializados e dispositivos médicos. Esta tendência é agravada pela concentração do sector privado em grandes grupos hospitalares, como a CUF, a Luz e os Lusíadas, que, dispondo de um maior poder económico, influenciam diretamente os valores contratados pelas seguradoras.

Paralelamente, as dificuldades sentidas no Serviço Nacional de Saúde levaram mais pessoas a recorrer ao sector privado. Este ano, mais de quatro milhões de pessoas já possuem seguro de saúde e prevê-se que esse número possa ultrapassar os cinco milhões nos próximos dois a três anos. O facto de as pessoas recorrerem cada vez mais aos serviços privados traduz-se em custos médios por sinistro mais elevados.

Outro factor importante é o contexto demográfico e epidemiológico. A população activa está a envelhecer e, simultaneamente, verifica-se uma prevalência crescente de doenças crónicas. Ambas as situações aumentam a necessidade de cuidados prolongados, o que tem um impacto directo na procura de cuidados de saúde e nos respectivos custos. A par disso, a constante evolução e inovação das tecnologias médicas, apesar de serem eficazes nos diagnósticos e tratamentos, são também mais dispendiosas.

Por último, a procura por cuidados de saúde mental aumentou significativamente nos últimos anos, sobretudo após o COVID-19. Esse crescimento levou as seguradoras a integrar coberturas mais amplas para consultas de psicologia, psiquiatria e programas de bem-estar emocional.

O estudo indica que principal desafio das seguradoras é garantir a sustentabilidade técnica, ou seja, manter os rácios de sinistralidade compatíveis com a viabilidade do produto. Nesse sentido, têm adoptado diversas medidas, entre elas a revisão de copagamentos e franquias, a renegociação de tabelas de preços e os novos modelos de rede de prestadores. Contudo, essas dificuldades geram também oportunidades, tais como:

1. Digitalização e análise de dados

A telemedicina, a triagem clínica online e a análise avançada de dados ajudam a reduzir custos e melhorar a experiência do utilizador. Já as ferramentas de business intelligence e inteligência artificial permitem uma gestão da sinistralidade quase em tempo real, identificando padrões de uso e prestadores com custos acima da média.

 

2. Prevenção da saúde 
A integração de rastreios, programas de nutrição, incentivo à actividade física e apoio psicológico pretende ajudar a reduzir a incidência de sinistros a médio e longo prazo, ao promover estilos de vida mais saudáveis.

 

3. Modelos híbridos
Muitas empresas optam por oferecer uma cobertura base, permitindo a realização de upgrades voluntários financiados pelos colaboradores, através da bolsa de benefícios flexíveis ou descontos no salário. Desta forma, existe uma maior flexibilidade e personalização, e mantém-se a atractividade do benefício.

 

Os dados apresentados neste estudo resultam das respostas de seguradoras que, juntas, representam 87% do mercado de seguros de saúde para empresas em Portugal.

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