Dez lições de liderança… A partir da parentalidade

Human Resources
10 de Agosto 2020 | 21:00
Dez lições de liderança… A partir da parentalidade

Como pai de três filhos pequenos, muitas vezes sinto que estou prestes a perder o controlo da situação lá em casa. Felizmente, muito do que aprendi em 23 anos de trabalho em equipa e com equipas permitiu-me desenvolver um conjunto de competências críticas para lidar com as diferentes dinâmicas familiares. Mas a verdade é que sete anos de experiência como pai me tornaram muito melhor líder.

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Por João Guedes Vaz, Managing partner da Boyden Leadership Consulting em Portugal

 

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Numa casa em que cinco pessoas partilham o mesmo espaço durante várias horas ao dia, para lidar com as suas diferentes expectativas e personalidades é necessária uma certa dose de estabilidade, improviso e inteligência emocional. Tudo competências que se podem adquirir e desenvolver ao longo da vida. E que podem ser úteis na vida profissional. Eis 10 lições que podemos aprender:

1. Usar sempre a melhor versão de nós próprios. Seja enquanto líder ou pai, estamos sistematicamente em destaque. A verdade é que não estamos simplesmente a liderar. Estamos a dar o exemplo para futuras gerações de líderes.

2. Ser paciente, saber esperar. Ser pai é uma experiência para toda a vida. Não é algo de que possamos abdicar ou suspender quando nos apetece ou dá jeito. Muito do que fazemos com e pelas nossas equipas só terá efeitos visíveis muitos anos mais tarde, pelo que é preciso saber esperar pelos resultados.

3. Ser consistente. Um dos maiores desafios dos líderes é a credibilidade. Ela constrói-se ao longo do tempo, e a consistência é uma das suas pedras basilares. Esta torna-se mais difícil de obter quando existem dois líderes (os pais) na equação, em que a dissonância pode minar a base da confiança e levar ao desentendimento e à frustração.

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4. Não ter medo de admitir as nossas fraquezas. Os seres humanos são imperfeitos, por natureza, pelo que têm falhas e fraquezas. Não as admitindo, os líderes tendem a projectar uma imagem de perfeição, inatingível aos olhos das suas equipas, o que lhes pode causar uma enorme frustração.

5. Escolher as “batalhas” certas. Na liderança, como em família, é importante escolher as batalhas certas para ganhar a “guerra”. A guerra do sucesso de longo prazo das nossas equipas ou dos nossos filhos. É importante dar-lhes espaço para cometer erros. Não o fazendo podemos estar a minar a sua autoconfiança e a sua capacidade de crescerem, enquanto profissionais e pessoas.

6. É natural desiludirmo-nos. É muito fácil criar expectativas elevadas relativamente aos outros. Organizações não são fábricas e as equipas não são máquinas sem sentimentos, pelo que é natural e normal que nos desiludam. O segredo está em conseguir perdoar, esquecer e passar à frente rapidamente.

7. Criar espaço para o erro. Os erros fazem parte do processo de aprendizagem e a forma como se dá feedback é absolutamente crucial. Demasiado positivo poderá criar dependência de feedback para progredir, mas demasiado negativo poderá minar a autoconfiança e a capacidade de evoluir.

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8. Cada pessoa é um indivíduo. Cada pessoa corporiza um conjunto único de competências, bagagem biológica, experiências e contextos socioculturais, pelo que não há uma receita única para o sucesso. No entanto, incorporando um propósito, um conjunto de valores e princípios, em tudo o que fazemos e dizemos, conseguimos comunicar directamente com o sistema límbico das pessoas e o seu cérebro fará o resto.

9. Escutar atentamente, usando mais do que apenas os ouvidos. Algumas emoções podem mostrar apenas a ponta do iceberg, a parte visível de problemas mais complexos, sendo nossa responsabilidade, enquanto líderes e pais, perceber as verdadeiras causas para conseguir actuar.

10. Criar um ambiente de segurança psicológica. A segurança dos nossos filhos e das nossas equipas promove o seu crescimento, o seu desenvolvimento, a sua curiosidade de explorar novos caminhos e sair da zona de conforto, porque reconhecem que nós, enquanto líderes ou pais, estamos lá para as apoiar e, com isso, ajudá-las a também serem as melhores versões de si próprios.

É importante que, enquanto líderes ou pais, nunca tenhamos medo de viver com paixão e de nos entregar ao máximo àquilo em que acreditamos.

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Este artigo foi publicado na edição de Julho (n.º 115) da Human Resources.

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