Diversidade e bem-estar: qual o impacto na valorização dos espaços de trabalho?

Muitas são as opiniões que correm sobre os aturais modelos de espaços de trabalho e a sua evolução num futuro pós-pandemia. A maioria, pelas mais diversas razões, salienta que os espaços de trabalho estão para ficar – como bem demonstrado no recente estudo da Savills, onde 89% dos participantes acredita que o escritório se mantém como uma necessidade.

Por Bárbara Clemente, senior architect na Savills

 

Subsiste uma importante característica na existência do espaço de trabalho físico e colaborativo: o escritório como espelho da cultura da organização.

De forma a atrair e reter os melhores profissionais, as organizações devem posicionar-se como uma escolha. As expectativas de quem procura um empregador estão a alterar e o contexto actual veio acelerar a necessidade de mudança. 

O local de trabalho deverá ser impulsionador de uma cultura de flexibilidade, diversidade e autonomia. 60% de respostas, no referido estudo de mercado da Savills, salientam o papel do escritório, mesmo que complementado pelo teletrabalho ou trabalho remoto, como o principal promotor das interacções entre as equipas e clientes, na procura do dinamismo do dia-a-dia da organização.

É também no escritório que temos oportunidade de absorver a diversidade de cada pessoa, a sua origem, experiência e competências, como mecanismo de inclusão e equidade, fortalecendo a equipa. Cada um de nós tem na sua raça, religião, neurodiversidade, autênticas formas de autoexpressão que não poderão ser ignoradas ou marginalizadas pelo empregador. Deverão sim, ser olhadas como uma mais-valia para a construção de um pensamento inovador e criativo. Logo, o “ir ao escritório” torna-se essencial para o fortalecimento de uma cultura de trabalho de equipa consistente onde as diferenças serão um bónus.

Após um período de confinamento, experienciado por muitos de nós, voltar ao escritório deverá oferecer algo mais do que o simples posto de trabalho. A experiência depende da cultura da organização e da vontade de adaptar o espaço às reais necessidades de cada indivíduo e colectivo.

A possibilidade de escolha do tipo de zona de trabalho, mais individual ou colaborativo, do tipo de espaço de reunião ou interacção, ou a oportunidade de lugares informais para refeições ou discussões mais criativas, são fundamentais. A aposta numa monitorização e análise (interna ou externa), suportada pelas equipas de Recursos Humanos e Facility Management, e aliados a ferramentas tecnológicas, dará indicadores de como iniciar o processo de mudança a curto e longo prazo.

O carimbo maior de valorização e confiança poderá mesmo passar pelas certificações de edifícios, seguindo as melhores diretrizes de boas práticas, como é o caso da WELL.

Se o foco estiver no bem-estar de cada pessoas, as mudanças dos espaços físicos e das políticas de Recursos Humanos irão garantir uma diversidade cultural e valorizar, por certo, o espaço de trabalho de todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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