E agora? Acabaram-se os open-space? Não, mas é preciso reactivar, respeitar e preparar o espaço de trabalho

O regresso ao espaço de trabalho está a ser um grande desafio para as empresas actualmente, talvez até maior do que foi mandar todas as pessoas para casa, quase de um dia para o outro. E há três pilares base para a “reentrada”: reactivar o espaço; respeitar a saúde e o bem-estar dos colaboradores e preparar os imóveis numa perspectiva de futuro.

 

Por João Marques, Managing Director Tétris Portugal, empresa do grupo JLL

 

Cidades, empresas e pessoas estão a desconfinar e o regresso ao espaço de trabalho está a ser um dos maiores desafios neste “próximo normal”. As empresas querem uma “re-ocupação” segura, que garanta o bem-estar dos colaboradores, incentivando o seu regresso com confiança e produtividade, mas com a pressão do timing e dos custos que tal processo implica.

A reentrada começa com o entendimento de que a segurança, bem-estar e resiliência estão no topo das prioridades, mas com a percepção de que terá de ser um processo gradual de adaptação.

E, assim, identificamos três pilares base para esta reentrada: reactivar o espaço; respeitar a saúde e o bem-estar dos colaboradores e preparar os imóveis numa perspectiva de futuro.

Para reactivar o espaço, preparando-o para os novos desafios de saúde e bem-estar, é crucial fazer um diagnóstico que identifique os riscos e necessidades da nova utilização, especialmente nesta fase – em que é preciso agir já e em que não se permitem grandes investimentos em transformações dos escritórios. A introdução de protocolos reforçados de segurança e higiene é um dos passos necessários, mas é preciso ir mais além.

 

A grande tendência é actuar ao nível da reorganização do espaço de que dispomos. E, desengane-se quem pensa o contrário: isso não vai implicar acabar com o open space. Prevêem-se mudanças no rácio posto de trabalho/colaborador, mas, em geral, não se antecipa uma maior compartimentação do espaço nem perda de área total do escritório. Um novo layout deverá resultar em mais áreas de socialização e reunião, em detrimento de áreas de produção individual.

No entanto, esta é uma tendência que já começava a vigorar antes da pandemia e que esta apenas veio apenas consolidar: o escritório é um ponto incontornável para o trabalho de equipa e socialização corporativa, não tanto para trabalhos de concentração e foco. Muitas empresas estão a fazer esta reorganização, incluindo a própria JLL. Por exemplo, a nossa sede mantém a sua dimensão, mas todo o layout está a ser readaptado: onde antes tínhamos 200 postos de trabalho, vamos ter 150, incentivando a rotatividade entre o trabalho escritório/casa, e privilegiando novas áreas mais amplas de encontro, reunião e socialização das equipas. O escritório terá o mesmo espaço, mas organizado de forma diferente e prevendo um menor rácio de ocupação permanente.

 

Chegamos então ao último pilar, a preparação do espaço numa perspectiva adaptativa e gradual. Muitas empresas colocam-nos esta pergunta: como fazer esta adaptação pós-COVID agora, sem sacrificar o potencial de regresso do espaço ao que era o nosso modelo de trabalho? Este é um vector muito importante, porque implica preparar a reentrada e simultaneamente re-imaginar o escritório numa perspectiva de longo-prazo, o que passará por olhar o espaço de forma evolutiva, mas não disruptiva.

Na nossa visão, é mudar de forma adaptativa. Temos que pensar num escritório que se adapte imediatamente às exigências impostas por uma circunstância inédita e imprevista, mas que possa novamente readaptar-se ao modelo que a nossa empresa tinha antes. Felizmente, as empresas estão muito cientes disso e, na Tétris, notamos uma preocupação muito grande das empresas em garantir estes princípios, com uma forte aposta em espaços de qualidade na reactivação dos seus escritórios, respeitando as necessidades de agora e os seus colaboradores, mas preparando-os numa lógica adaptativa.

 

 

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