E de novo, as Pessoas!

Por Ricardo Florêncio

 

Não desejo ser repetitivo. Mas não há como conseguir fugir ao tema. Em todas as conversas que mantemos com as empresas, e com os seus principais responsáveis, e não apenas com os directores de Pessoas/Recursos Humanos, o tema da falta, escassez de pessoas é abordado. Há mesmo falta de pessoas. E a todos os níveis, para muitas e diversas funções.
As empresas têm muita dificuldade em recrutar, e outras, em manter, o talento. E as razões são muitas. Interessa agora analisar como dirimir esta situação.
A actual, e futuras projecções, da pirâmide etária vem desde logo trazer duas situações. Por um lado, necessitamos mesmo de incentivar a imigração. Atrair e trazer pessoas de outras nacionalidades que desejem trabalhar em Portugal. E neste campo, há que rever todas as políticas e práticas existentes hoje para que estes processos sejam mais facilitados, mas sempre dentro da lei. Por outro lado, há que terminar de vez com os dogmas e uma cultura de preconceito em relação às idades.
Há muitos recursos em Portugal com idade mais avançada que desejam trabalhar, continuar a trabalhar. Talvez não em full time, mas tendo disponibilidade para trabalhar em part-time. E aqui, há trabalho a desenvolver não só com estas pessoas, com as empresas e também com o Estado. Numa terceira via, fala-se também que as pessoas não desejam trabalhar, pois são mal remuneradas. E deste prisma, há que trabalhar na questão da produtividade, mas também nas políticas fiscais, pois os diversos impostos sobre as remunerações de trabalho são também um obstáculo a estes recrutamentos.
Para além destes acima citados, há diversos outros temas que merecem a nossa atenção. Mas agora, passemos às decisões e ações, pois o problema é actual, é imediato!

 

Editorial publicado na revista Human Resources nº 141, de Setembro de 2022



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