E quando não houver pessoas suficientes para trabalhar?

O tão falado problema da escassez de mão-de-obra tem sido associado sobretudo à desadequação entre a oferta e a procura, mas a médio prazo o problema poderá ser ainda mais complexo: a falta de pessoas em idade activa para dar resposta às necessidades das empresas. O tema não é exclusivo de Portugal, mas aqui estamos no “pelotão da frente”.

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

Em 2015, os media em Portugal noticiavam que, de acordo com um relatório das Nações Unidas, em 2050, o nosso país seria o quarto mais envelhecido no mundo. Mas não foi preciso esperar tanto. No final do ano passado, o Expresso, tendo como fonte os dados mais recentes da ONU, fazia manchete precisamente com este título: “Portugal é o quarto país do mundo com a maior fatia de população idosa”. Ou seja, quase 30 anos antes do “previsto”. No mesmo sentido, os Censos 2021 revelam um “aumento expressivo” da população idosa e um decréscimo da população jovem em Portugal. Por cada 100 jovens, há já 182 idosos.

Perante este cenário de «inverno demográfico» – como foi descrito à volta da mesa –, a solução parece estar numa política de imigração «convenientemente pensada, sem preconceitos políticos. E não se pode voltar a cometer o erro de pôr médicos e engenheiros nas obras», alertou-se. «Apesar de Portugal estar pior, não é um problema exclusivamente nosso, a restante Europa debate-se com o mesmo, por isso o foco tem de estar noutros continentes, como África, Ásia e América Latina.»

Por outro lado, defendeu-se medidas não só de apoio à natalidade, mas que também permitam que as mulheres não sejam obrigadas a escolher entre a carreira e a maternidade.

Como habitualmente, o almoço do Conselho Editorial da Human Resources realizou-se no Vila Galé Ópera, em Lisboa, a convite de Gonçalo Rebelo de Almeida. Estiveram ainda presentes os conselheiros: Ana Porfírio (Jaba Recordati), Catarina Horta (novobanco), Catarina Tendeiro (People advisor and coach), Diogo Alarcão (gestor), Inês Madeira (Grupo FHC), Maria João Martins (My Change), Nuno Ferreira Morgado (PLMJ), Nuno Troni (Randstad), Pedro Fontes Falcão (ISCTE Executive Education), Sara Silva (L’Oréal) e Teresa Cópio (Dom Pedro Hotels).

Artigo publicado na Revista Human Resources n.º 138, de Junho de 2022, nas bancas

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