Ensinar para o empreendedorismo

Leonor Martins
11 de Dezembro 2018 | 10:29

Apesar dos avanços positivos, seria bom ver o empreendedorismo e os conceitos com ele relacionados serem implementados mais cedo no percurso educativo, nomeadamente no secundário.

Por Daniel Vila Boa, mentor da European Innovation Academy e managing partner da Chilltime

 

Ao longo dos últimos 10 anos, a educação para o empreendedorismo tornou-se um tema de grande importância, com avanços muito positivos nesta área tanto nas universidades como nos programas imersivos. A nível académico, já se observa novas cadeiras, com o “Empreendedorismo” a fazer parte do currículo de universidades proeminentes, como o Instituto Superior Técnico, por exemplo. Entretanto, em Portugal, começam também a existir programas imersivos como o European Innovation Academy, que permite aos mais brilhantes estudantes vindos de todo o mundo participar num programa educacional intensivo, de três semanas.

Mas qual a relevância desta formação? A educação para o empreendedorismo é o desenvolvimento das capacidades técnicas e psicológicas que equipam o estudante com as ferramentas necessárias para criar um negócio ou criar um novo projecto dentro de uma empresa existente. No programa European Innovation Academy, os estudantes participam em todo o processo de criação de um novo negócio, desde a formulação da equipa, pesquisa de uma ideia viável, passando pela fase de teste do produto e validação, a investigação de diferentes possibilidades de modelos de negócio, abrindo caminho para o processo de prototipagem do produto, levando-o ao mercado e à procura de financiamento. Conhecem ainda pessoas inteligentes e proactivas de diversas origens culturais e académicas, promovendo o crescimento enquanto pessoas e profissionais, e criam também uma rede valiosa de contactos, que os ajudarão ainda mais nas suas carreiras, tanto com os colegas que participam no programa, como com os vários mentores.

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Do ponto de vista académico, este processo permite ao estudante compreender o ciclo de vida de um novo negócio e a sua aplicação em muitos sectores da sua vida. Após a participação nestes programas, os estudantes demonstram um crescimento cognitivo mais crítico e eficaz, onde se revelam também competências ao nível interpessoal (soft skills). Acima de tudo, os estudantes aprimoram ainda capacidades pessoais nas áreas da determinação, honestidade e modestidade. A determinação é um componente inerente à resiliência necessária para desenvolver um novo negócio. A honestidade, no feedback e discussão de ideias, é algo obrigatório para a boa formulação dos conceitos posteriormente validados. Por último, a modestidade, porque, por vezes um problema, solução ou modelo de negócio que aparenta ser identificado como uma certeza absoluta, acaba por revelar ser incorrecta ou inadequada. Esta situação obriga-nos a assumir uma nova perspectiva sobre o problema que se está a tentar resolver, o que evidencia que estamos sempre a aprender. Estes três factores permitem aos estudantes ter um potencial de crescimento profissional mais significativo.

Como tal, em Portugal esta formação já começa a ser uma realidade, mas ainda há trabalho a fazer. Seria bom no futuro ver alguns destes conceitos serem implementados mais cedo no percurso educativo, nomeadamente na escola secundária, onde a sua intervenção poderá ajudar os mais jovens a crescer pessoalmente e a despertar o entusiasmo para desenvolver novas ideias, assim como uma maior capacidade para enfrentar desafios.

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